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terça-feira, 26 de março de 2013

FREIRINHA FITOTERAPEUTA DE SAUDOSA MEMÓRIA


Chamava-se Eva Michalak, e nasceu no dia 12 de Julho de 1912, em Massarandubinha, município de Massaranduba - Santa Catarina - Brasil.
Era filha do polaco Ladislau Michalak e da austríaca Anna Otembreit Michalak. O avô materno era alemão.
Tendo ficado sem pai muito jovem, ingressou na então Companhia das Irmãs Catequistas Franciscanas, em Rodeio - Santa Catarina.
A 14 de Janeiro de 1931 fez a sua profissão religiosa.
Como irmã, iniciou a sua vida dando aulas na Escola Isolada de Travessão do Tigre, então pertencente a Blumenau (hoje pertence a Benedito Novo), e ali permaneceu durante dez anos.
Em 1941 trabalhou em Campinas - Massaranduba.
Em 1942 e 1943 trabalhou em Rio Waldrich.
A seguit foi para Guaricanas II, município de Ascurra - Santa Catarina (1944 a 1950).
De 1951 a 1953 esteve em Rodeio e, no ano seguinte, em Rio Morto.
Regressou a Guaricanas por dois anos (1954 e 1955).
Durante todos estes anos dedicou-se ao Magistério Público Estadual, como professora, sendo não só uma competente e sábia mestre-escola como uma profunda conhecedora e divulgadora das plantas medicinais e da saúde popular.
Em 1957 passou a residir na Casa-Mãe, em Rodeio, local onde nasceu a Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Aqui, durante 50 anos, dedicou-se ao cultivo de plantas ornamentais, frutíferas e, sobretudo, medicinais.
Era muito inteligente, aplicada e estudiosa. Dada a falta de cursos adequados às suas qualidades e tendências pessoais, esmerou-se, com persistência, em encontrar fontes de pesquisa em diferentes espaços: livros, jornais, revistas, rádio, televisão, conversas com pessoas competentes... De tudo isto resultou um acervo de informações populares e científicas que conseguiu acumular ao longo dos anos.
Autodidacta, pesquisadora insaciável e, acima de tudo, defensora da vida. Apaixonada pelas plantas, carinhosa para com a Mãe Terra, andando sempre descalça, no campo ou na cidade, em casa ou na igreja, e generosa em comunicar as suas descobertas a todos quantos a consultavam, entre os quais muitos médicos e estudantes de medicina.
Nada guardou para si, mas ofereceu o seu vasto saber em benefício da saúde do povo.
Quem conheceu a Irmã Eva Michalak no seu dia-a-dia apercebeu-se da ternura, do carinho e do amor que dedicava ao seu labor.
Viveu em profunda comunhão com a natureza e nela encontrou espaço, ao longo de 50 anos, para concretizar a sua comunhão com o Criador.
Já com a audição debilitada devido ao avançar da idade, ainda assim a freirinha conversava e receitava medicamentos à base de ervas, para os mais diversos tipos de enfermidades.
De memória ainda vigorosa, tinha vasto conhecimento no que respeitava ao uso apropriado das plantas usadas para curar doenças.
Muitos a procuraram para solucionar problemas de saúde, e a freirinha dos pés descalços foi até «estrela» de reportagens e programas de televisão.
À pergunta «Porque fica descalça?» a Irmã Eva respondeu:
"É saúde. O tempo de frio ou chove, né, bota tamanco, bota sapato, porque ganha reumatismo. Cabeça dura! Reumatismo entra pela boca e não pelos pés".
Para estes nossos dias em que a depredação e destruição da Natureza são feitas sem consideração e sem medida, em que a alimentação humana se torna causa de doenças sérias e de outros prejuízos para uma vida saudável, a Irmã Eva deixou-nos uma grande lição: a Natureza, criada por Deus para benefício da pessoa humana, deve ser respeitada e amada, e a nossa alimentação deve voltar à simplicidade de outros tempos, se quisermos que a VIDA, o grande dom de Deus, continue a existir neste nosso planeta Terra.
Aos 94 anos era ainda irrequieta. Acordava às cinco da manhã para cuidar das suas mais de 200 plantas medicinais e 74 árvores frutíferas.
As descobertas da irmã estão reunidas em livro.
S. Francisco de Assis, testemunho e modelo do grande amor a todas as criaturas e a quem a Irmã Eva procurou seguir, a receba e partilhe com ela das alegrias eternas.




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