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quarta-feira, 22 de maio de 2013

MISERICÓRDIA DE BRAGA - 500 ANOS - ROSTOS & PESSOAS - HELDER DE CARVALHO - CASA DOS CRIVOS - 12 DE ABRIL A 15 DE MAIO DE 2013



É diversificado o conjunto de actividades programadas para comemorar os 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Braga. Um dos elementos desse conjunto é a exposição «Rostos e Pessoas» da autoria do Escultor Helder de Carvalho.
Trata-se de um artista consagrado, responsável pela medalha comemorativa dos 500 anos e do monumento a erigir no Largo D. João Peculiar.
Bom seria que, ao longo deste ano e para além dele, fossem evocados rostos e pessoas de muitos que, da forma mais diversa, ao longo de cinco séculos, deram vida à Santa Casa da Misericórdia de Braga. Há-os cujo nome é sobejamente conhecido. Alguns estão recordados no espaço exterior do Lar Nevarte Gulbenkian. Outros figuram na galeria de retratos que integram o rico património da Santa Casa. De outros ainda se falará, muito possìvelmente no trabalho de investigação histórica que está a ser feito pelos Professores Marta Lobo e Viriato Capela, da Universidade do Minho. Muitos continuarão no anonimato.
Não deixava de ser interessante, se tal fosse possível, identificar os rostos das pessoas que se acolhem sob o manto largo da senhora, representada no retábulo da Igreja da Misericórdia. Figuram ali representantes do clero, da nobreza e do povo. Quem terá pretendido, de facto, retratar o autor de tão sugestivo retábulo?
A exposição que agora se inaugura, podendo parecer que pouco tem a ver com a actividade concreta da Santa Casa da Misericórdia de Braga, pode dar ensejo a que se tirem do anonimato muitos dos que a serviram ao longo destes cinco séculos. É muito possível que no baú de recordações de muitos Bracarenses existam preciosos elementos que bom seria viessem a público.
Fica lançado o desafio.

                                                                                 Santa Casa da Misericórdia de Braga



BERNARDO REIS


Escultura de Helder de Carvalho

Geólogo de profissão, com créditos firmados na gestão de empresas como as ligadas ao sector diamantífero de Angola, Bernardo José Ferreira Reis, atingida a reforma, dedicou-se a uma outra «profissão» que exerce com muita dedicação e grande entusiasmo: a do serviço aos outros. Desinteressado. Totalmente gratuito. Procurando como única recompensa a certeza de ter feito o bem, sem olhar a quem. Melhor: vendo Jesus nas pessoas a quem serve, que a isso levam as suas convicções de católico praticante.
O serviço aos outros tem sido mais notório nos trabalhos que presta na Santa Casa da Misericórdia de Braga e na União das Misericórdias Portuguesas.
É um Homem que se dá, sem reservas, às causas em que acredita, às vezes com prejuízo dos que lhe são mais próximos, o que não significa que não seja um marido dedicado, atento e atencioso, e um carinhoso pai e avô. Porque o tempo lhe não chega para tudo, às vezes fica-se com a impressão de que consegue arranjar mais tempo para a prática da Caridade - é este, para um Cristão, o nome do que chamam solidariedade - do que para dedicar aos seus legítimos interesses pessoais, como seriam um maior descanso e um maior acompanhamento à sua casa de Pereiró.
Inabalável nos seus princípios, corajoso e persistente, consciente de que pode ser ajudado nas obras a que se entrega por pessoas a quem não deixa de bater à porta, tem pela frente o desafio de conseguir restituir vida aos espaços do que foi o Hospital de S. Marcos, norteado pelo desejo de aliviar o sofrimento alheio e de preservar o património que outros edificaram.

                                                                                                                                           Silva Araújo


DA INQUIETANTE VERDADE DO RETRATO

"Somos seres olhados"
       Ruy Belo

Da arte de retratar, seja qual for o ramo da expressão artística, a forma de composição, o modelo, a técnica e os materiais escolhidos para o efeito, talvez muito já tenha sido dito, desde as origens aos tempos em que o curso da História lhe deu relevo e importância, mas o que é certo é que muito, porventura, terá ficado por dizer, tantos são os rostos que há num rosto, e infinitas as variantes do processo, que faz do retrato o seu objecto.
Sabendo, ou julgando saber, quem é o retratado, o que retrata (pintor, escultor, fotógrafo) não pode dar como adquirida a verdade de que conhece o essencial da personalidade que pretende retratar, porque a verdade do retratado, marcada pela improbabilidade do acto criador, será sempre uma verdade impraticável, centrada na tentativa de restituição a si próprio, e aos outros, daquele que o artista elegeu para esse fim.
Na sequência de um percurso artístico orientado para a necessidade de realização que, dos pontos de vista ético e estético, tem por objectivo cumprir-se humanamente, de acordo com uma gramática da criação, que lhe é própria, Helder Carvalho não temeu abraçar um dos mais árduos conceitos de modernidade, deixando-se nortrear por princípios que, não só se têm revelado fundamentais para a exaltação da sua generosidade criativa, como deles tem feito fundamento na linha desse "prever para prover", que fez do seu ofício, e do artista que ele é, o indefectível curador dessa memória histórica profunda, que o tem ajudado a ser sujeito activo da contemporaneidade e geração a que pertence.
Como em outras exposições, como em outros espaços, a amostra, agora dada a público na cidade, que Francisco Sanches inscreveu nos universos da ciência e do saber, constitui um momento privilegiado de convivência com algumas das personalidades mais destacadas da vida portuguesa, tais como: Florbela Espanca, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Camilo Pessanha e Natália Correia, na literatura, Teixeira Lopes, Paula Rego e José Rodrigues, na pintura e escultura; Guilhermina Suggia, violoncelista; Emanuel Nunes e Siza Vieira, na composição musical e na arquitectura, respectivamente; Manoel Oliveira, no cinema; D. Manuel Clemente, proeminente figura do episcopado português; José Saramago e Amália Rodrigues, representantes, entre nós e além-fronteiras, do que melhor tem sido dado a conhecer por Portugal ao mundo, nos domínios da erudição literária e do fado, canção nacional reconhecida, entretanto, como património da humanidade. Tornando a arte do retrato como via de acesso ao conhecimento humano e valorização do homem, corajosa opção artística, numa época ameaçada pela devastação de legados confrontados com o crescente "desterro da essência da humanidade", que George Steiner atribui à "barbárie política" e à "servidão tecnocrática" actuais, não pode deixar de se reconhecer-se em que medida o trabalho do escultor, do pintor, continua a dignificar o destino artístico que, sendo seu, é afinal de todos nós, abrindo uma frente de resistência ao que, simulando ser verdade, se compraz em fazer da aparência, real; e, da falta de alternativas, debilidade contributiva da falsificação da história do conhecimento, firmada no simulacro, que o autor de Presenças Reais, qualificou sem hesitar de "pornografia da insignificância".
Assumido arauto de um humanismo conquistado à medida do homem, e do ser, Helder Carvalho confirma, assim, por inteiro, essa rara e desinteressada (pequena) grandeza do artista, que aprendeu a fazer do seu plano criador um passo para conferir à Humanidade o que, tantas vezes, esquecemos, enquanto seres dotados de finalidade, e mais do que isso, constituídos essencialmente por ela.
Há porém, na arte do retrato, uma inegável e inquietante verdade - a de que "somos seres olhados", e isso não se explica, não tem porquê, nasce e floresce, cada Primavera, como a Rosa de Silesius.


                                                                                                                   Vergílio Alberto Vieira



HELDER DE CARVALHO



Nasceu em Carrazeda de Ansiães (Trás-os-Montes), em 1954.
Formou-se em Artes Plásticas pela Escola Superior de Belas Artes onde foi discípulo, entre outros, dos Escultores Gustavo Bastos, Alberto Carneiro, Zulmiro de Carvalho, Eduardo Tavares e Júlio Resende.
Com a conclusão do Curso, em 1978, inicia a sua actividade de Escultor, realizando diversas exposições individuais e colectivas.
Possui «atelier» na cidade do Porto, onde actualmente reside.
Possui o mestrado em "Art Craft and Design Education - University of Surrey/Roehempton" - Londres.
Participa nas Bienais de Arte de V. N. de Cerveira 1982 e 1984.
Participa na Exposição Nacional de Escultura ao Ar Livre promovida pela Secretaria de EStado da Cultura - Porto.
Participa nas Bienais de Escultura e Desenho da Amadora (1988 e 1990) e Caldas da Rainha (1987 e 1989).
Realiza Exposições individuais na Cooperativa Árvore, Porto, em 1995; Fundação Engº. António de Almeida, Porto, em 1997.
Possui obra de sua autoria em diversos espaços públicos, incluindo as localidades: Alfândega da Fé, Almeirim, Aveiro, Barcelos, Bragança, Canelas, Chaves, Freixo de Espada-à-Cinta, Porto, Torre de Moncorvo, Macedo de Cavaleiros, Matosinhos, Praia da Vitória, Vila Flor, V. N. de Gaia e Vila Pouca de Aguiar.

PRÉMIOS:
- 1º Prémio no Concurso Nacional "Monumento ao Douro" / Peso da Régua;
- 1º Prémio no concurso para o "Monumento à Rendilheira" / Vila do Conde;
- 2º Prémio Internacional Edinfor de Escultura / Lisboa 1996.

COLECÇÕES E/OU MUSEUS EM QUE ESTÁ REPRESENTADO:
- Museu Abade de Baçal / Bragança;
- Museu Municipal de Vila Flor;
- Museu Armindo Teixeira Lopes / Mirandela;
- Casa-Museu Teixeira Lopes / Galerias Diogo de Macedo / V. N. de Gaia;
- Galeria - Centro de Arte Municipal / Barcelos;
- Governo Regional da R. A. da Madeira;
- Museu Eduardo Tavares / S. João da Pesqueira;
- Fundação Engº. António de Almeida / Porto;
- Casa de Vitorino Nemésio / Praia da Vitória.



Maria Ondina
Desenho gráfico em vidro acrílico.



Sebastião Alba
Desenho gráfico em vidro acrílico.




Luxúria Canibal
Desenho gráfico em vidro acrílico.




Ramos Rosa
Desenho gráfico em vidro acrílico.




Sophia M. Breyner
Desenho gráfico em vidro acrílico.



Eugénio Andrade
Desenho gráfico em vidro acrílico.



José Saramago
Desenho gráfico em vidro acrílico.



António Gedeão
Desenho gráfico em vidro acrílico.



Fernando Namora
Desenho gráfico em vidro acrílico.



Alexandre O' Neill
Desenho gráfico em vidro acrílico.




Miguel Torga
Desenho gráfico em vidro acrílico



Siza Vieira
Desenho gráfico em vidro acrílico.



Sonia Delaunay
Resina patinada.
58 x 33 x 40 cm.




Helder Pacheco
Resina patinada.
50 x 30 x 40 cm.




Guilhermina Suggia
Resina patinada.
55 x 30 x 40 cm.



Vergílio Vieira
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.




Emanuel Nunes
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.



Camilo Pessanha
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.



Teixeira Lopes
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.



José Rodrigues
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.





Paula Rego
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.



José Régio
Acrílico sobre tela.
195 x 114 cm.



Rentes de Carvalho
Resina patinada.
45 x 28 x 33 cm.



Manoel Oliveira
Resina patinada.
45 x 28 x 33 cm.



Teixeira Lopes
Gesso (interpretação).
70 x 28 x 30 cm.




José Saramago
Resina patinada.
60 x 40 x 45 cm.




Siza Vieira
Resina patinada.
48 x 23 x 20 cm.



Natália Correia
Acrílico sobre tela.
100 x 80 cm.




Columbano
Acrílico sobre tela (interpretação).
100 x 80 cm.



Eugénio Andrade
Acrílico sobre tela.
100 x 80 cm.



Florbela Espanca
Acrílico sobre tela.
100 x 80



Miguel Torga
Acrílico sobre tela.
100 x 70 cm.



Amália Rodrigues
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.



Amália Rodrigues
Desenho gráfico.
70 x 100 cm.



D. Clemente
Desenho a grafite sobre papel.
70 x 100 cm.




D. Clemente
Desenho gráfico.
70 x 100 cm.











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