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quarta-feira, 19 de junho de 2013

MEDITAÇÃO - A FELICIDADE AQUI E AGORA

    



    Fonte: Activa - Fevereiro de 2013.

    Autora: Bárbara Bettencourt.

    Fotografia: Thinkstock.

    Adaptação: Rob.


    A ciência tem vindo a confirmar o que as tradições antigas já diziam: a meditação é uma das melhores ferramentas para nos ajudar a lidar com as agruras do dia a dia.
    O cérebro não é estático, como se pensava até aqui. Pode modificar-se estruturalmente ao longo da vida.
    A tendência para pensamentos e emoções felizes pode ser treinada, nomeadamente através da meditação, uma autêntica musculação cerebral.

    Para quem está de fora, os meditantes podem parecer uma fauna estranha, parte de um clube selecto na posse de um segredo qualquer.
    Mas a meditação, asseguram famosos, monges e cientistas, quando nasce é para todos, e, sobretudo, garantem-nos, não é um bicho de sete cabeças.
    Trata-se simplesmente de treinar a arte da concentração, explica o monge budista Matthieu Ricard no livro 'A Arte de Meditar' (Ed. Presença). Doutorado em Genética Molecular, Ricard foi um dos monges que se submeteu a testes cerebrais em estudos científicos sobre a meditação e os resultados valeram-lhe o título de 'Homem mais feliz do mundo'. Nada mau, mas consta que os resultados foram obtidos após anos de prática em mosteiros do Nepal.


DÁ SAÚDE E FAZ CRESCER... O BEM ESTAR

    A crer nos estudos, feitos com pessoas comuns e monges na Universidade de Wisconsin, EUA, meditar 20 minutos por dia, durante seis a oito semanas, é o suficiente paras notar efeitos na diminuição da ansiedade, dor, raiva e tendência para a depressão. Além disso, neste curto período de tempo o sistema imunitário parece sair reforçado, há um reforço da capacidade de concentração e aumento do bem-estar. 
    Até agora o cérebro era visto como algo estático, com um número de neurónios fixo à nascença que não se reproduziam e diminuíam com a idade.
    Hoje em dia sabe-se que o cérebro é dotado de neuroplasticidade, ou seja, é capaz de se modificar estruturalmente ao longo da vida.
    Os pensamentos activam determinados circuitos neuronais e quanto mais os usamos mais eles são reforçados.
    A prática da concentração em sentimentos como a compaixão, por exemplo, activa a zona do cérebro ligada a emoções positivas e faz com que esta se torne mais forte.
    Com a prática é possível alterar completamente padrões de reacção emocional negativos. É isto que explica Matthieu Ricard: "Treinar o cérebro para desenvolver certas qualidades humanas é tão normal como aprender a andar, a ler e a escrever", garante.
    Portanto, ainda dá algum trabalho, o que explica que seja tão comum desistir ao fim de umas poucas tentativas. Embora não pareça, não é fácil ficar sentado sem fazer nada.
    Dicas para começar:

    - Foque-se nas razões porque quer meditar: se tiver uma motivação é mais fácil.

    - Comprometa-se. 

    - Faça da meditação um hábito que não questiona, como lavar os dentes.

    - Comece devagar e estabeleça metas razoáveis.

    - Por fim, não se preocupe em sentir alguma coisa durante a meditação.

    Os efeitos importantes, assegura Mattieu Ricard, sentem-se no dia a dia, quando não estiver a meditar.



MEDITAÇÕES PARA TODOS OS GOSTOS

  Há técnicas de meditação com milénios, mas também modalidades bastante recentes. É importante descobrir a que mais se adapta à sua forma de ser para colher maios benefícios.
    Se a ideia de ficar sentada por 10 minutos lhe faz comichão, talvez o zen não seja para si, mas pode experimentar o tai-chi ou a dança sufi... Se gosta de cantar, práticas com entoação de mantras são uma boa ideia... O mais importante é comprometer-se a praticar de forma regular. Meditar é ginástica cerebral. Faça-o e pronto. A persistência faz a diferença. É melhor 10 minutos por dia todos os dias do que sessões de horas seguidas uma vez por mês.



MEDITAÇÃO BUDISTA

  Há muitas técnicas baseadas nos ensinamentos de Buda, para quem o objectivo da meditação era sobretudo libertar a mente das emoções perturbadoras. 
   No budismo theravada, considerado a escola mais antiga e ortodoxa, pratica-se a meditação samatha, também chamada meditação para a tranquilidade, em que se busca a pacificação da mente através da concentração num objecto, geralmente a respiração ou um objecto no exterior.
    Já na meditação vipassana, também chamada de prática da atenção vigilante, treina-se uma atenção lúcida e não interventiva ao corpo e à mente.
    A ideia é conseguir permanecer sentado e imóvel em estado de observação.
    O budismo zen, que se desenvolveu a partir da China, ensina a meditação zazen, em que também se cultiva a imobilidade na posição sentada, e o kinhin, em que se medita a caminhar, prestando atenção a cada movimento.



MEDITAÇÕES HINDUÍSTAS

    Os Vedas, textos espirituais da Índia com mais de 4 mil anos, estão cheios de ensinamentos sobre meditação, nomeadamente nos textos sobre yoga, que é também uma forma de meditação.
    Na tradição védica, a meditação é considerada uma via para se atingir a iluminação, mas com objectivos mais modestos também se colhem benefícios.
    Há muitas modalidades diferentes, desde a concentração do olhar num yantra (símbolo complexo, como o símbolo do Om) ou mandala (um desenho geralmente com formas geométricas) até à repetição de um som ou mantra.



MEDITAÇÕES ACTIVAS

    Para meditar não é preciso estar sentado. É este o principio explorado por práticas orientais como o tai-chi, uma antiga arte marcial chinesa em que os movimentos são feitos muito lentamente, coordenando os gestos com a respiração, e o chi-kung, uma técnica chinesa de manipulação consciente da energia que combina respiração, posturas, movimentos e meditação.
    As meditações dinâmicas do Osho são bastante mais recentes. O guru indiano criou modalidades como a meditação kundalini ou nataraj a pensar nos ocidentais que sofrem do 'mal da agitação mental' e precisam de exorcizar emoções reprimidas antes de se conseguirem sentar e meditar.
    Princípio semelhante segue a antiga tradição mística do Islão, o sufismo. Na prática do giro sufi, a ideia é girar sobre si mesmo, de pé com os braços estendidos à altura dos ombros. O olhar fixo numa das mãos é o segredo para não cair, o que exige concentração extrema. No fim, experimenta-se a quietude.



MEDITAÇÃO TRANSCENDENTAL

    Criada pelo indiano Maharishi Mahesh Yogi nos anos 60, tornou-se um fenómeno no Ocidente depois de popularizada pelos Beatles, que chegaram a seguir o guru até à sua academia  de meditação nos Himalaias. Técnica baseada na repetição mental de um mantra individual ensinado por um instrutor.
    Depois há que praticar duas vezes por dia durante 15 a 20 minutos.




RECEITA CASEIRA

    Reserve 20 minutos para meditar. O ideal é colocar o despertador, para não se preocupar com o tempo.
    Sente-se numa posição confortável, em que a coluna fique direita e fixe a atenção numa âncora: pode ser a respiração, um mantra ou contar de trás para a frente.
    É um erro comum pensar que meditar é livrar-se dos pensamentos, tarefa impossível. Mas é possível aprender a observar os pensamentos de foras, como nuvens que passam, sem se apegar a nenhum.
    Quando a mente divagar, porque vai divagar, não se preocupe e volte à âncora.
    Com o tempo será cada vez mais fácil focar-se apenas num pensamento ou acção.
    Quando vier o aborrecimento observe também.
    Em alternativa a ficar sentada, se de facto não conseguir, pode reservar esses 20 minutos para fazer alguma actividade de que goste muito e exija concentração total da sua parte: «tricot», «crochet», recortar figuras com uma tesourinha, cozinhar um prato difícil...
    

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