QUEM SOU

segunda-feira, 8 de julho de 2013

NA PISTA DE LORD WELLINGTON

Sir Arthur Wellesley, 
Duque de Wellington
por Sir Thomas Lawrence

    Julguei ser o melhor programa para a viagem inaugural de um novo carro uma ida até ao Buçaco, disfrutar da possível frescura da mata, na quente última tarde de Junho de 2013.
    Apesar dos estragos causados pelo temporal de 13 de Janeiro de 2013, que obstruiu muitos dos acessos, foi-nos possível a mim e à Margarida, percorrermos muitos dos pitorescos e encantadores recantos daquela maravilhosa estância.
    Comecemos pelo princípio:
    «Piquenicámos» num recinto onde se acumulavam troncos de cedros, provàvelmente removidos de vários locais onde o vento os derrubou. Ali estavam eles, prontos a seguir para uma qualquer serração, talvez, para dar lugar a uns milhares de lápis.
    Foi num pequeno cepo que «pusemos a mesa», e ali comemos as sardinhas de conserva e umas salsichinhas, com pão de forma. 


    Eu tinha determinado: depois de almoço, o «digestivo» seria uma partida de «bisca». Como sempre... A Margarida ganhou-me! Só foi pena não ter como parceiro o próprio Massena (até rima)!


    Terminado este interlúdio recreativo seguimos para o período cultural, que iniciámos com a visita ao Convento de Santa Cruz, cujo esquema, fornecido na recepção, apresentamos aqui:


    A este esquema segue-se a descrição redigida pela Fundação Mata do Buçaco:

    O Convento de Santa Cruz do Buçaco, ligado à prática eremítica dos Carmelitas Descalços e à acção reformadora (1562) de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, estimulou a criação de um dos mais originais Desertos da Ordem.

Desposório Místico de Santa Teresa de Ávila
(Século XVIII)
Foto Rob

    A sua história inicia-se em 1628, quando o bispo de Coimbra D. João Manuel doa aos Carmelitas da Província Portuguesa a mata do Buçaco para a construção do convento e retiro dos religiosos da Ordem. No apelo constante à solidão e ao afastamento do mundo, o Convento seria então o palco de uma experiência profunda de contemplação, oração e penitência.
    A partir da acção enérgica de Frei Tomás de S. Cirilo, Frei João Baptista e Frei Alberto da Virgem, o essencial da construção da complexa estrutura conventual decorreu até 1639, altura em que foi sagrada a igreja dedicada a Santa Cruz. 

Nave da igreja vista do 
Altar-mor
Foto Rob

    Aqui aliou-se o sentido simbólico da planta centralizada à prática pouco comum da colocação do templo no meio dos espaços de circulação associados às estruturas claustrais, estabelecendo-se assim a aproximação ao arquétipo do Templo de Salomão, primeiro espaço verdadeiramente sagrado da Cidade Santa.
    No Convento do Buçaco, o discurso iconográfico do espaço, das formas, dos materiais e das técnicas vai ao encontro de uma espiritualidade que se constrói pela Fé e pobreza.
    O emprego das cortiças e da técnica dos embrechados, os conteúdos da azulejaria ou a força da imaginária religiosa reforçam esse sentido de uma exemplaridade cristã vivida no isolamento.
    O Convento de Santa Cruz do Buçaco tinha outra dimensão que respondia às necessidades da vida conventual mas, apesar dos rigores de um quotidiano de silêncio e penitência, não deixou de ter um papel fundamental no acolhimento ao cenário de guerra da Batalha do Buçaco (1810) ou atrair um constante fluxo de religiosos que, em regime temporário ou perpétuo, escolhiam o Buçaco.

Na cela que acolheu o Duque de Wellington, 
durante a Batalha do Buçaco, pode ver-se
um retrato deste, ladeado por duas espadas
Foto Rob



Na cela do Duque podem ver-se outras 
peças de armamento, como estas duas 
espingardas e as duas baionetas que 
ladeiam um mapa da Batalha do Buçaco
Foto Rob

Mapa da Batalha do Buçaco
Foto Rob

    Procurado e beneficiado por algumas das mais prestigiadas entidades eclesiásticas dos séculos XVII e XVIII, como D. Manuel de Saldanha, Reitor da Universidade , ou D. João de Melo, bispo de Coimbra, o Convento de Santa Cruz prosperou até 1834, data em que a extinção das Ordens Religiosas ditou o seu abandono.

D. João de Melo, bispo de
Coimbra
Foto Rob

    A partir de 1888, contudo, um novo impulso construtivo traria ao Buçaco o Palace Hotel que, se implicou a destruição das estruturas conventuais anexas à igreja, ao corredor e pátios que hoje testemunham a existência do Convento, peermitiu a sua inclusão num Buçaco romântico que permanece como um dos locais patrimonialmente mais ricos na sua diversidade compositiva.


Acesso à portaria e cruzeiro
Fotos

 Rob

Heráldica Carmelita
Foto Rob
«O Senhor está realmente neste lugar. Não
há aqui outra Casa de Deus e Porta do 
Céu»
Foto Rob   

  Logo que eu e a Margarida entrámos no convento e sentimos a frescura proporcionada pelo material predominante ( a cortiça), logo se me evocaram os tempos de Espinho em que:
    - O rés-do-chão da nossa casa, ainda inacabado, tinha o perpianho à vista, o que lhe dava uma certa frescura nos dias mais quentes de Verão (que não eram là muitos).
    - No início da minha adolescência aquelas paredes rústicas evocavam-me qualquer coisa parecida com um austero cenóbio. O certo é que isso me despertou para uma vida espiritual mais profunda, de mais oração, que se foi desenvolvendo a longo prazo, terminando no ingresso e profissão da Regra da Ordem Franciscana Secular e no Ministério Extraordinário da Comunhão.
    - Imaginando-me eu, rapazinho de 13 anos, um religioso num convento, era precisamente um carmelita descalço que eu me imaginava (eu já era um potencial descalcista!): assim comecei por andar descalço dentro de casa, para além de atravessar a rua para ir para a praia. Só muito mais tarde me decidi pelo ideário franciscano.

Tecto da portaria, em cortiça
Foto Rob

Porta de uma cela,
igualmente em cortiça
Foto Rob

    Tive de me conter muito para não tirar as sandálias e sentir nos pés aquelas pedras gastas, calcorreadas por milhares de religiosos que por ali passaram ao longo de mais de trezentos anos, uns com sandálias, como eu, 


outros, quem sabe, mesmo descalços, fazendo jus ao nome da sua regra, em boa hora concebida por Teresa de Jesus e João da Cruz, inspirados pelo minoríssimo Pedro de Alcântara, cujos seguidores também já eram denominados de «Descalços»!
    
Igreja
Imagem de S. João da Cruz
Foto Rob

S. Pedro de Alcântara
(Internet)

    Logo na portaria encontrámos a capela do Senhor «Ecce-Homo», onde eram celebradas as Missas e outras devoções dirigidas aos fiéis e leigos estranhos ao convento:

Foto Rob

    Algumas telas:




Fotos Rob

    Um frontal de altar em azulejos, para aqui transferido de outro local:

Foto Rob

    Considerando ser a portaria um local de onde os fiéis assistiam à Missa na capela do Senhor «Ecce-Homo», era indispensável a pia de água benta e a sineta, que tinha múltiplas aplicações:

Foto Rob

    Embora não siga o percurso da visita tal e qual o fizemos, julgo por bem passar já à igreja, centro topográfico e espiritual deste complexo monástico, não repetindo neste documentário imagens que já inseri acima:

Crucifixo do retábulo do altar-mor
Foto Rob

Imagem de Nossa Senhora das 
Dores e Crucifixo da banqueta 
do altar-mor
Foto Rob

Altar, retábulo e imagem
de Santa Teresa de Jesus
Foto Rob

Retábulo e imagem de Santa 
Teresa de Jesus
Foto Rob

Conjunto de figuras representando a 
morte de Santa Teresa de Jesus
Foto Rob

Sepultura junto ao altar de Santa
Teresa de Jesus
Foto Rob

Tela representando o 
Senhor preso à coluna
Foto Rob

Imagem de Elias
Foto Rob

Altar, retábulo e imagem
de S. José
Foto Rob

Retábulo e imagem de S. José
Foto Rob

Grupo de imagens representando a morte 
de S. José
Foto Rob

Relicário de Santa Cristina
Foto Rob

Relicário em forma
de antebraço,
contendo uma suposta
 relíquia de 
Santo Hilário
Foto Rob

Relicário em forma
de antebraço
Foto Rob

RElicário de Santo Aleixo
Foto Rob

Presépio
Foto Rob

Imagem de Nossa
Senhora do Carmo
Foto Rob

Frontal em azulejos do altar de
 Nossa Senhora do Carmo
Foto Rob

Sepultura no coro baixo
Foto Rob

Presépio do coro baixo
Foto Rob

Quadro representando o Pretório de
 Pilatos
Foto Rob

Transverberação de Santa Teresa
Foto Rob


Mapa da Cidade de Jerusalem
Foto Rob


    Terminada a visita à igreja percorramos agora o claustro, um conjunto de corredores interiores formando um quadrilátero, para onde abrem as portas encortiçadas das celas:

Paramentos
Foto Rob

Alfaias litúrgicas
Foto Rob

Retrato de Frei Sebastião
da Encarnação
Foto Rob



Altares com frontal de azulejo
(Foto Rob)

Retábulo pintado de um dos altares do 
claustro
Foto Rob

Morte de Santa Teresa de Jesus
(pormenor)
Foto Rob

Morte de Santa Teresa de Jesus
(pormenor)
Foto Rob

Anunciação
Foto Rob

Dormição de Nossa Senhora
Foto Rob

Dormição de Nossa Senhora
(pormenor)
Foto Rob

Assunção de Nossa Senhora
Foto Rob

Morte de S. José (pormenor)
Foto Rob



Morte de S. José (pormenor)
Foto Rob


Cela do Duque 
Pedra com inscrição evocativa da Batalha 
do Buçaco
Foto Rob

    Ao longo do nosso percurso deparámos com diversos espaços de culto e devoção:

Cruzeiro
Foto Rob

Nicho com um relicário
Foto Rob

Capela da Adoração dos Magos - retábulo
Foto Rob

Capela da Adoração dos Magos
Altar e retábulo
Foto Rob



Capela da Adoração 
dos Magos
Janela e cadeira
Foto Rob


Capela de Santo Amaro - retábulo
Foto Rob



Capela de Santo Amaro
Altar e retábulo
Foto Rob

Capela da Sagrada Família
Altar com ex-votos e retábulo
Foto Rob

Capela da Sagrada Família - retábulo
Foto Rob


Capela da Sagrada Família - ex-votos
Fotos Rob

Capela da Sagrada Família
Imagem do Menino Jesus
Foto Rob

Capela da Sagrada Família
Janela e cadeira
Foto Rob

    E ao sair esta lápide lembrou-nos, mais uma vez, a presença do «Duque de Ferro» neste local místico:

Foto Rob

    Terminada a visita a este deserto/paraíso demos uma olhadela no exterior do Palace Hotel, edifício construído para ser residência real de férias, sobre as ruínas de parte do convento:




Fotos Rob

    O calor convidava-nos para a frescura da mata, até porque faltava-nos percorrer as capelas dos Passos da Via-Sacra.
    Mais uma vez vou transcrever uma descrição que nos foi fornecida pela Fundação Mata do Buçaco:
    
    Classificado como Imóvel de Interesse Público, o conjunto monumental do Buçaco mobiliza uma riqueza patrimonial de excepção.
    Ao núcleo central formado pelo Palace Hotel do Buçaco e pelo convento de Santa Cruz juntam-se as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Buçaco, os cruzeiros, as fontes (saliente-se a Fonte Fria com a sua monumental escadaria) e as cisternas, os miradouros ( o da Cruz Alta oferece vista privilegiada sobre toda a região entre Coimbra e a Serra do Caramulo) ou as casas florestais.


Lápide numa casa da 
Mata
Foto Rob

    Na posse do Bispado de Coimbra desde 1094, a Mata foi doada em 1628 pelo então bispo de Coimbra, D. João Manuel, à Ordem dos Carmelitas Descalços para a construção do seu "Deserto" em Portugal.


O chamado 
«Cedro de S. José»
Foto Rob


Inscrição considerando o 
«Cedro de S. José», plantado em 1644, como
sendo o mais antigo da Mata.
Foto Rob

    Iniciadas as obras em Agosto desse ano, a construção do convento e da sua cerca terminaria por 1630, altura em que começou a vida monástica regular.
    O Convento de Santa Cruz, construído na simplicidade exigida pela vocação eremítica do Deserto, apresenta uma planta única em Portugal: a igreja (onde se percepciona um plano dúbio entre a cruz grega e a cruz latina - através da junção do coro) domina um espaço sem claustro e com os pátios a imprimir a regularidade ao conjunto. Ou seja, nesta originalíssima ideia de usufruto espiritual é a igreja que se inscreve dentro de um "espaço claustral" simulado, recuperando a organização da ideia mítica do Templo de Jerusalém.
    O revestimento arquitectónico da cortiça ou o embrechado como técnica decorativa alargada ao circuito conventual traduz o espírito de despojamento adequado às práticas ascéticas dos religiosos.
    Dos séculos XVII e XVIII ainda permanecem obras de escultura, pintura (saliente-se a presença de Josefa de Óbidos) ou azulejaria, que denunciam uma comunidade religiosa dinâmica e atenta ao sentido artístico específico dos tempos.
    Em 1834 a extinção das ordens religiosas decretou o fim da presença dos Carmelitas Descalços no Buçaco, embora o último religioso, António de Tomás de Aquino, aqui tenha permanecido até à sua morte em 1860.

    Dentro da cerca conventual, com as emblemáticas portas, subsistem também as capelas de devoção (em planta circular ou quadrangular) e as ermidas de habitação, construídas para a vontade religiosa da reclusão. Todas elas atestam a coerência funcional num programa cerrado em torno do ideal de ascetismo e desprendimento material.


Capela com «porta» adossada
Foto Rob

Capela do Caminho do Calvário
Foto Rob

Capela do Encontro
Foto Rob

Uma das capelas da Via-Sacra
Foto Rob

Capela do Cireneu
Foto Rob

Capela da 3ª Queda
Foto Rob

Uma das capelas e outra das «portas»
existentes na mata
Foto Rob

Capela do Descimento da Cruz
Foto Rob

Capela do Calvário (ermida de habitação)
Foto Rob

Capela do Calvário - Altar 
Foto Rob


Vistas tomadas da ermida de habitação do
Calvário
Fotos Rob

Cozinha da ermida de habitação do 
Calvário
Foto Rob

Outro dos recantos da ermida 
de habitação do Calvário
Foto Rob

Outra ermida de habitação
Foto Rob

Cruzeiro rematando a ermida de
habitação
Foto Rob

    A partir de 1644, sob a égide de D. Manuel Saldanha, Reitor da Universidade de Coimbra, ergueu-se, à imagem de Jerusalém, uma Via Crucis de fortíssimos contornos ideológicos e propagandísticos, destinada a representar os passos da Paixão de Jesus Cristo.
    Inicialmente assinalados por uma cruz de pau-brasil, foram substituídos (1694-1695) por capelas mandadas construir pelo Bispo de Coimbra D. João de Melo.
    Adquirem especial relevância as estações do Pretório e do Calvário, que remata o percurso da Via Sacra.
    Assumindo-se como representação do Monte Carmelo na Palestina (foco originário da Ordem dos Carmelitas), o Sacromonte reivindica quer a herança do Profeta Elias como primeiro eremita quer um protagonismo espiritual que encontra na articulação ao programa definido dentro da cerca conventual a sua mais elevada expressão.

    A 27 de Setembro de 1810 a mata foi palco da Batalha do Buçaco (um dos episódios sangrentos das invasões napoleónicas em Portugal) tendo o Convento servido de base de operações ao Duque de Wellington no confronto entre as tropas luso-britânicas e francesas. Junto ao Convento ainda existe uma oliveira onde, segundo a tradição, Wellington terá atado o seu cavalo quando se recolheu após a batalha.


À entrada do Museu Militar 
encontra-se esta réplica de
militar uniformizado de acordo com 
a época da Guerra Peninsular
Foto Rob

Peça de artilharia de
guarnição
Foto Rob

Peças de artilharia de campanha
Foto Rob

Réplica da estátua de
D. João VI existente no
Porto
Foto Rob

    O Palace Hotel (1888-1907) é considerado um dos pontos de maior interesse de todo este conjunto. Sob projecto do cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936), o edifício inscreve-se no cruzamento cultural do sentido romântico e nacionalista que absorve os neos de ressonância manuelina e renascentista.
    Aqui trabalharam os canteiros qualificados da escola de Coimbra e aqui se formalizou a consistência plástica do revivalismo historicista que preencheria a região.
    Outras contribuições vindas de Nicola Bigaglia (1841-1908), que assina a Casa dos Cedros, ou Norte Júnior (1878-1962), autor da Casa dos Brasões, pautam-se por uma plasticidade comum à generalidade do complexo edifícado.

    
A MATA NACIONAL DO BUÇACO


Um dos caminhos da Mata
Foto Rob


    As características únicas da Mata Nacional do Buçaco são o resultado da permanência dos Carmelitas Descalços no seu "Deserto".
    Revelando ainda zonas da floresta autóctone portuguesa, foi sendo tratada por sucessivas gerações de monges de modo a representar o Monte Carmelo como local originário da Ordem.
    Protegida tanto pelos Carmelitas como pelos seus protectores e benfeitores, recebeu ainda protecção da Santa Sé contra o corte e desbaste de árvores pelas populações locais.
    Hoje é um laboratório vivo e objecto de estudo por parte de diversas instituições de ensino superior portuguesas.


Margarida observa a folhagem 
de uma árvore, junto à 
Fonte do Carregal
Foto Rob

    FLORA - A Mata Nacional do Buçaco encontra-se no extremo Noroeste da Serra do Buçaco, no concelho da Mealhada.
    Com 540 m. de altitude, a sua localização geográfica confere-lhe um microclima muito particular, com temperaturas amenas, elevada precipitação e frequentes nevoeiros matinais, que favorecem a ocorrência de elevada biodiversidade.
    Assim, nas encostas expostas a Sul sobressai uma vegetação potencial perenifólia tìpicamente mediterrânica e nas encostas mais a Norte uma vegetação caducifólia, característica de clima temperado.
    Actualmente ocupa cerca de 105 hectares e possui uma das melhores colecç~oes dendrológicas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos com exemplares notáveis.
    É uma das Matas Nacionais mais ricas em património natural, arquitectónico e cultural, podendo ser dividida em três unidades de paisagem: Arboreto, Jardins e Vale dos Fetos e Floresta Relíquia.

    ARBORETO - Ocupa cerca de 80% da +area da mata. É o resultado de um processo de florestação que partindo de uma área já existente, foi sendo reflorestada pela acção dos monges.
    Da floresta original ainda restam alguns carvalhos, azereiros e loureiros. Mas foi devido aos Carmelitas Descalços que o arboreto ganhou a alma que se mantém, sobretudo após a introdução do cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitanica), o ex-libris da mata.
    A partir de 1850 foram introduzidas muitas espécies exóticas, como cedros, sequóias, araucárias, eucaliptos, pseudotsuga, entre outras.

    JARDIM E VALE DOS FETOS - A principal e mais significativa área ajardinada é a que envolve o Convento (e o Palace Hotel), designada por "Jardim Novo". Foi construída em 1886-87, tal como a Cascata de Santa Teresa.
    Outro espaço verde ajardinado emblemático é o Vale dos Fetos, cujo nome deriva da existência de vários exemplares de fetos de porte arbóreo. O arruamento do Vale dos Fetos foi construído em 1887-88, tal como o Lago Grande.

    FLORESTA RELÍQUIA - É uma formação vegetal clímax de plantas autóctones que, segundo alguns autores, conserva as características típicas da florewsta primitiva, antes da ocupação humana.
    Ocupando apenas uma pequena fracção, no extremo Sudoeste da mata, este local é bastante diversificado, albergando três habitats diferentes: o carvalhal de carvalho-alvarinho e carvalho-negral, o loureiral, dominado pelo loureiro, com presença frequente do medronheiro, folhado e do azevinho, e os 'Adernais', na encosta Sul e Sudoeste.
    O adernal é uma formação vegetal única dominada por adernos de grande porte arbóreo, estendendo-se desde a Cruz Alta até ao Passo de Caifás. Em alguns locais é pràticamente puro, formando um bosque denso pràticamente sem outras espécies arbóreas.
    Entre as espécies subarbustivas domina a gilbardeira. Nas espécies trepadeiras são comuns a salsaparrilha-bastarda, uva-de-cão e a hera.

    FAUNA - A Mata Nacional do Buçaco encerra uma vasta diversidade de animais que, muitas vezes silenciosa, passa despercebida.
    Rodeada de monoculturas de pinheiro-bravo e eucalipto , a Mata providencia alimento, abrigo e refúgio para mais de centena e meia de espécies de Vertebrados, entre as quais algumas de grande valor conservacionista como endemismos ibéricos de espécies protegidas.
    Num passeio diurno poderão observar-se e ouvir-se numerosas espécies de aves florestais, como os chapins, o tentilhão e os pica-paus, aves de rapina como a águia-calçada ou o açor (ambas espécies ameaçadas) e até mesmo aves associadas a massas de água, como a garça-real e o guarda-rios.
    O bom tempo atrairá diversos répteis, como o lagarto-de-água, endémico, ou a cobra-de-escada e um olhar atento às linhas de água permitirá identificar anfíbios tão distintos como a salamandra-lusitânica e o tritão-de-ventre-laranja, dois sensíveis endemismos.
    O crepúsculo revela outros sons e movimentos. São os morcegos, as raposas, fuínhas e outros animais nocturnos, como a coruja-do-mato e o mocho-galego.
    A biodiversidade encontrada no Buçaco exprime a singularidade e valor patrimonial deste espaço mágico e obriga à sua preservação.



O «DUQUE DE FERRO»

    Arthur Wellesley nasceu em Dublin, actual República da Irlanda, em 1769.
    Seguindo a carreira militar, embarcou para a Índia em 1797, onde colaborou activamente com o seu irmão e 1º Marquês de Wellesley, Richard Colley Wellesley.3
    Nomeado Governador-geral, pacificou importantes regiões (submissão dos maratas orientais, em 1803).
    Retomando o serviço europeu, participou na luta da Grã-Bretanha contra o Bloqueio Continental: primeiro, no bombardeamento de Copenhague, depois no comando do corpo expedicionário inglês que desembarcou na Figueira da Foz, em 1808, vencendo as tropas de Junot nas Batalhas da Roliça e Vimeiro.
    Contra o seu parecer, foi assinada com Junot a Convenção de Sintra, pela qual os franceses vencidos retiraram do País, nas melhores condições.
    Ilibado da responsabilidade nesta decisão, regressou à Pewnínsula em 1809; pouco depois obtinha a brilhante vitória de Talavera, contra o marechal Victor, mas preferiu retirar para POrtugal, com receio que lhe fosse cortado o contacto com o mar.
    Em Portugal, depois da vitória do Buçaco sobre o marechal Massena (27.09.1810), as tropas francesas foram repelidas pelas linhas de Torres Vedras, com cuja fortificação concordara, impedindo assim o objectivo fundamental da invasão de Portugal, que era a conquista de Lisboa.
    Afastado o perigo, avançou sobre a Espanha, onde venceu a Batalha de Salamanca. Mas obrigado a recuar pelo marechal Soult, recompôs o seu exército e venceu a Batalha de Vitória, sendo feito marechal e duque (1813).
    Pouco depois transpunha os Alpes, empurrando com dificuldade as tropas do marechal Soult.
    Na paz, foi nomeado embaixador da Grã-Breetanha em Paris e delegado ao Congresso de Viena.
    Com o regresso de Napoleão da ilha de Elba, assumiu o comando das tropas antinapoleónicas e venceu Napoleão na Batalha de Waterloo (1815), embora tivesse sido decisiva a intervenção do marechal Blücher, chefe do exército prussiano.
    Regressado à Grã-Bretanha, tornou-se, em 1828, a figura primacial do Partido Conservador (tory), conservando-se no poder até à vitória dos liberais em 1830; foi durante o seu governo que foi publicada a lei de tolerância para com os católicos.
    Regressou mais tarde ao governo, mas só para apoiar Peel (1834-1835 e 1841-1846), tendo tido papel importante na revogação das corn-laws, isto é, no estabelecimento da liberdade de importação de cereais.
    Político conservador, tinha uma aguda sensibilidade ao fenómeno revolucionário e ao fenómeno nacionalista. O «Duque de Ferro» (assim era conhecido) nessas condições defendeu o apoio às tropas portuguesas formadas para combater os invasores, assim como às tropas espanholas, constituídas nas mesmas condições e considerava como mais representativas as forças tradicionais de cada país do que as novas correntes políticas, no que se opunha a Canning.
    Com muito apreço pelo soldado português, tinha, além disso, muito prestígio em Portugal pela poosição que tomou aquando da Convenção de Sintra.
    Em virtude da sua fundamental acção na libertação de Portugal das Invasões Francesas, foi-lhe atribuída uma elevada tença.
    Ainda pelo mesmo motivo, recebeu como presente uma preciosíssima baixela de prata, desenhada e feita pelos melhores artistas e artífices portugueses (entre os quais Domingos Sequeira) que marca uma época na história da arte portuguesa.
    Assim, Wellington está ligado à história de Portugal, no aspecto militar, político e cultural, tendo-lhe sido concedidos os títulos de conde do Vimeiro (decreto de 13.05.1811), marquês de Torres Vedras (carta de 17.12.1811) e duque da Vitória (decreto de 12-12.1812)
    Faleceu em Walmer-Castle, Kent, em 1852.

    MACEDO, Jorge - VELBC - Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura.

    
    Wellington
por Chris Collingwood.
(Internet)

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