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Braga, Minho, Portugal
Franciscano com paciência beneditina.

sábado, 14 de junho de 2014

COISAS DA ARCA DO VELHO - 30 ANOS DE PROFISSÃO RELIGIOSA


    Perguntar-me-ão, e com razão, porque está Santo António, neste seu dia, em cima da «arca»?
    Ora bem... Ele também era conhecido como «Arca do Testamento», tais eram os seus conhecimentos acerca da Sagrada Escritura, o que lhe valeu ser um dos maiores teólogos e pregadores de todos os tempos.
    Mas não tenhamos a pretensão de esta ser a «Arca do Testamento». Nada disso. É a «Arca do Velho», de onde eu vou, de vez em quando, sacar umas memórias, umas evocações.
    E faz hoje, dia 13 de Junho de 2014, trinta anos que fiz a minha profissão religiosa, como irmão franciscano secular (ou irmão terceiro franciscano, ou ainda irmão penitente), numa Igreja dos Terceiros repleta de fiéis, durante a Missa Solene da mais importante celebração litúrgica que durante o ano decorre neste templo:



    Embora seja a Imaculada Conceição o orago da igreja e S. Francisco de Assis o fundador da Ordem, a verdade é que a imagem de Santo António de Lisboa é ali a mais venerada.


    Congratulei-me com isto, porque a devoção a Santo António estava profundamente enraizada na minha família. Minha mãe nascera na Rua de Santo António, no Porto, assim chamada por começar junto à igreja dos Congregados, onde o santo é carinhosamente venerado, e era dele muito devota. 
    A imagem de louça vidrada de Sacavém, que os meus pacientes leitores vêem sobre a «arca», presidiu às refeições da minha família durante muitos anos, pois encontrava-se numa mísula, na sala de jantar, junto de uma pequena reprodução da «Última Ceia» de Da Vinci, que agora está na minha actual sala de jantar.
    Quanto a esta imagem, julgo estar no devido lugar: sobre uma das estantes da minha biblioteca. É o lugar mais apropriado para a representação deste estudioso, deste teólogo, deste filósofo, deste professor universitário, enfim...
    Não queria escrever aqui e agora um sermão sobre o santo, mas sim sobre o culminar de um percurso iniciado na Fraternidade Franciscana Secular do Amial - Porto, em 1981.
    Primeiro, como postulante, tive a grande alegria de, em Fátima, participar na Peregrinação Nacional Franciscana que marcou o início do centenário do nascimento de S. Francisco de Assis:

Igreja de Nossa Senhora dos
Anjos do Amial - Porto, que
integra o convento dos Frades 
Menores Capuchinhos, onde
está inserida a Fraternidade
Franciscana Secular.

Nos dias 3 e 4 de Outubro de 1981 participei na
primeira actividade, como postulante, estando
presente, em Fátima, nas comemorações do 
8º Centenário do Nascimento de S. Francisco
de Assis.
Aqui, antes da partida, com algumas irmãs
Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora
(Franciscanas de Calais).

    Iniciou-se o Ano Pastoral Franciscano e, com ele, a preparação para a «tomada de hábito», da qual eu não sabia o que constava, e imaginava que nos fosse mesmo distribuído um hábito semelhante aos usados pelos irmãos da Fraternidade de Ovar durante a sua imponente procissão e outras celebrações quaresmais e da Semana Santa:


    Era nossa Mestra de Formação a saudosa Ir. Cândida Gouveia OFS, que já em Angola era franciscana saecular, portanto muito do âmbito dos Capuchinhos.

Ir. Cândida Gouveia OFS (de pé).

    O nosso Assistente era Frei Manuel Pires Ferreira OFMCap, aqui comigo durante o retiro quaresmal de 1982:


    Presentemente, Frei Manuel é guardião do Convento de Santo António, em Barcelos.
    Como a festa de Santa Isabel da Hungria (17 de Novembro), padroeira da Ordem Franciscana Secular, calhou nesse ano à semana, a Fraternidade antecipou-a para o dia 15, e a «tomada de hábito» constou... Da imposição de um pequeno «TAU» metálico na lapela do casaco!
    Sim! Eu iniciei a minha vida religiosa franciscana de fato e gravata, eu que sempre desejaria envergar um hábito, nem que fosse um daqueles incaracterísticos hábitos de Ovar!
    Pouco há a dizer do noviciado decorrido no Amial. Durante a Quaresma organizámos um retiro em Ermesinde, no Convento das Irmãs do Bom Pastor:


    Eu já tinha em vista a minha mudança para Braga, e consequentemente a minha transferência para a Fraternidade Franciscana Secular de Braga (nesse tempo ainda Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da Cidade de Braga). Aqui iria decorrer o restante do meu noviciado e aqui professaria a «Santa Regra da Penitência».
    Em Braga não havia Mestre de Formação. Disso se encarregava o Assistente, Frei Domingos Casal Martins OFM, prefeito do então Seminário de Montariol:

  

    Desde a minha chegada à Fraternidade que Frei Domingos se mostrou deveras interessado na minha profissão, mas dadas as circunstâncias da mesma Fraternidade isso só se viria a concretizar mais de um ano depois.
    A questão do hábito fascinava-me. Eu sabia que os hábitos dos Capuchinhos eram confeccionados no Convento de Santo António, em Barcelos, pois era ali que decorriam os noviciados destes confrades.
    Um dia fui bater à porta do convento e atendeu-me Frei António de Faria OFMCap., figura muito popular e querida na cidade.

Frei António de Faria OFMCap. (à esquerda) com 
Frei Anselmo de Moena OFMCap.

    Expus as minhas pretensões, e ele, prosseguindo na sua tarefa de enfiar terços, declarou, com um sorriso, ser ele próprio o alfaiate da Ordem. Era simples fazer um hábito da Ordem Terceira: a tunica era semelhante à deles mas sem capuz. Só que a capa... Frei António nunca tinha feito capas para a Ordem Terceira, e as dos Capuchinhos eram diferentes, pois apenas cobriam até às pontas dos dedos.
    Pedi orçamento, tirei as medidas e encomendei o hábito. À minha custa, pois...!
    Dias depois fui provar, tendo ali encontrado Frei Albino Felicíssimo OFMCap., a quem já conhecia do Amial. Enquanto Frei António, comigo de pé em cima de uma mesa, me alinhavava a bainha da túnica, Frei Albino perguntou-me:
   - Que dizem os teus superiores acerca de usares o hábito?
    Eu já tinha dado o «toque» ao Frei Domingos Casal Martins, e a verdade é que não desaprovou. Nem aprovou com entusiasmo. Apenas sorriu. E foi isso que respondi ao Frei Albino.
   Um dia là fui buscar o hábito: túnica, cordão e... capa, muito mal talhada. Coitado do Frei António! Não lhe podia exigir mais...
    E foi assim que me apresentei para professar. Não tenho imagens do acto. Das minhas relações de fora da Fraternidade apenas veio assistir a Ir. Olinda Pinheiro, Franciscana Missionária de Nossa Senhora a quem me ligavam laços de fraterna amizade.
    Éramos três a professar: eu e um casal de professores. Coube-me levar a cruz processional, e cada um dos cônjuges levava uma tocha.
    Apenas chegados ao altar, Frei Domingos fez um esclarecimento: estava ali para professar um irmão que usava um hábito, mas por opção própria. Nenhum irmão franciscano secular era obrigado a usar hábito.
    E ali, de joelhos, pronunciei, finalmente, a fórmula da profissão:
    - Eu, Alberto, para corresponder à graça que o Senhor me concedeu, renovo as minhas promessas do Baptismo e consagro-me ao serviço do Seu Reino. Prometo, pois, viver no meu estado secular, todo o tempo da minha vida o Evangelho de Jesus Cristo, na Ordem Franciscana Secular, observando a sua Regra. A graça do Espírito Santo, a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e de S. Francisco e a comunhão fraterna me ajudem sempre para que consiga a perfeição da caridade cristã.
    De então para cà...
    Aos poucos, irão saindo da «arca» factos disto consequentes e outros que nada têm a ver com este assunto.
    Sosseguem: o uso do hábito foi mesmo suspenso, senão proibido. Ficaram as capas. Mandei fazer uma, como deve ser, num paramenteiro desta Cidade dos Arcebispos. Mas já nem isso tenho, porque túnica, cordão e capa passaram a fazer parte do acervo do futuro Museu da Fraternidade, por doação minha.






    










domingo, 8 de junho de 2014

COISAS DA ARCA DO VELHO



50 ANOS DE FOTOGRAFIA

    Completa-se neste ano precisamente meio-século da minha actividade como fotógrafo amador, uma vez que iniciei esta minha actividade durante o ano de 1964.
     Meus pais tinham uma câmara KODAK Six-20 Brownie, um «caixote», como eram conhecidas estas volumosas máquinas:





  
    Carregava película 620, negativos 3 x 6 cm., e dava imagens bem definidas.
    Contudo, não seria com este aparelho que eu iniciaria a minha actividade. Era demasiada responsabilidade para um menino ainda com 12 anos.
    Suponho que foi como prenda de aniversário que uma prima minha me ofereceu então uma «FALCON DeLuxe Miniature»:




    Era uma máquina já com algum uso, e fui avisado de que «metia alguma luz».
    Carregava película 127, com negativos  1, 5 x 3 cm ou 0, 75 x 3 cm., mas se a definição das primeiras não era muito boa a das últimas era horrível, pelo que só fiz uma única experiência, felizmente não foi a primeira, tendo esta saído razoável, como comprova esta imagem de minha mãe e minha avó materna, talvez a primeira fotografia que tirei:




    A fim de marcar esse ano em que me iniciei como fotógrafo escolhi como fotografia de perfil, na minha página do Flickr  https://www.flickr.com/photos/robaleiro   , um «passe» tirado aos 12 anos:






    Como «modelos fotográficos» vali-me dos nossos animais, primeiro um cão chamado «Patusco», que teve de ser recambiado para a Arrifana por se começar a mostrar de uma raça grande:






    No ano seguinte vieram para nossa casa dois cães gémeos:




    A «Nitucha», que ficou em nossa casa...


... e o «Miguinho», ou simplesmente »Migo», 
que ficou com os meus avós maternos e o 
gato «Mascote».


    A minha primeira «reportagem» foi a procissão de Nossa Senhora d' Ajuda desse ano (para quem não sabe residi em Espinho entre 1961 e 1981):







    Os tempos eram difíceis, e as verbas para películas, revelações e ampliações ou amplicópias eram escassas. Os resultados obtidos com a «FALCON» eram um pouco desanimadores, e em 1968 comecei também a usar a «KODAK» (caixote), fazendo a «cobertura» da Comunhão Solene da paróquia de Espinho:




    Pelos finais de 1968 resolvi adquirir uma das novas câmaras lançadas pela »KODAK»: o modelo «Instamatic», que carregava uma «cassette» de película 126 com 12 ou 20 negativos:




    Foi o que se pode dizer «uma máquina de guerra», pois acompanhou-me inclusivamente em Moçambique, durante a minha comissão de serviço militar (1974-1975).
    A minha primeira «reportagem com esta câmara» foi na Procissão dos Terceiros em Ovar de 1969:




 






    Isto foi em tempo de paz. Vejamos algumas imagens em tempo de guerra:





    
    Regressado do Ultramar e começando o precário «flash» a não dar a devida resposta, o que me limitava muito as imagens de e nos interiores, entendi por bem adquirir ainda outra câmara, desta vez uma «OLYMPUS PEN EE2»:



    Começava já a ter algum material «a sério», tendo destinado a «KODAK» para fotografia a preto-e-branco com luz natural e esta nova aquisição para fotografia a cores.
    E assim fui fotografado, por este novo «brinquedo», na noite de Natal de 1975, como que brindando a uma nova etapa na minha carreira de fotógrafo amador:



    Não vou ter a pretensão de expôr aqui toda a minha actividade de 50 anos, mesmo que resumida. Convido-vos a visitar a minha página Flickr, acima referida, com mais de 7000 imagens.
    Vou tentar limitar-me ao material. 
    Para já, as câmaras até agora referidas fazem parte do Museu da Imagem de Braga, por doação minha.
    Em 1995, aspirando já a uma profissionalização, adquiri, em 2ª mão, esta «LUXON» com objectiva, «zoom», «flash» e saco:



    Tive ainda uma câmara «NIKON» compacta, de cujo modelo me não lembro, e que sempre me acompanhava no dia-a-dia. 
    Distribuí este último material pelos filhos e aderi ao digital, que veio em boa hora, dada a despesa com o analógico, pese embora a falta da «magia» da expectativa dos resultados das revelações!