QUEM SOU

A minha foto
Braga, Minho, Portugal
Franciscano com paciência beneditina.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - O VELHO/NOVO FRIGORÍFICO

Nos inícios do Outono de 1965, finalmente, obtivemos o nosso primeiro frigorífico.
Mais uma vez repito que nesse distante meio-século os registos fotográficos eram escassos, uma vez que não dispúnhamos de câmaras com "flash" que nos permitissem obter imagens de interior e os rolos e respectivas revelações tornavam-se caros para as nossas posses.
Mas posso fazer uma pequena descrição desse electrodoméstico, que ficou na sala de jantar porque a cozinha não tinha local destinado para ele:
Fora comprado a uma família que ia emigrar para Angola. Era marca "Electrolux", pouco mais alto que um aparador, funcionava a resistência e era muito volumoso exteriormente, em relação ao espaço interior, devido ao isolamento térmico exigido.
Em cima tinha uma placa de PVC flexível, para protecção.
Minha mãe  e eu começámos por experimentar receitas de gelados e semi-frios, que não saíram maus. 
Era pequeno mas dava perfeitamente para as necessidades e era uma mais-valia para o arrendamento na época balnear, que era a estação em que se tornava mais necessário.
E já que hoje é a Véspera de Natal, lembro que uma das suas utilizações práticas secundárias foi fazer em cima dele a árvore-do-Natal!
E com isto desejo aos meus leitores um Santo, Franciscano e Feliz Natal!









quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CAPELA DA IMACULADA - BRAGA

A capela do Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Seminário Menor) de Braga, conhecido também por "Da Tamanca", foi totalmente remodelada.
Eis imagens da capela:


sábado, 12 de dezembro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - A MINHA PRIMEIRA PRÁTICA DA LÍNGUA FRANCESA E A MINHA SEGUNDA IDA A FÁTIMA

O Francês foi sempre a disciplina em que obtive classificações mais altas.
Se a memória me não atraiçoa, andaria sempre entre os 14 e os 18 valores.
Devo-o ao método singular de estudo imposto pelo saudoso Professor Manuel de Sá Couto, o "Teacher" (por também leccionar Inglês) ou, simplesmente, o "Ticha".

Professor Manuel de Sá Couto
(extraído do livro "Colégio de S. Luiz")


























Foi meu mestre durante 5 anos: de 1962 a 1967.
Estamos no Advento, dias pequenos e frios, tempo propício para, no calor do lar, ir à "arca" remexer numas ninharias com meio século.
Conforme julgo já ter escrito numa das "arcadas" anteriores, à semelhança da maioria dos habitantes de Espinho, arrendávamos a nossa casa a veraneantes pelo que, pelos finais de Maio recolhíamos ao rústico rés-do-chão inacabado, onde permanecíamos até ao princípio de Outubro.
O mês de Julho estava sempre assegurado por uma senhora de Avintes estabelecida no Porto, com quem minha mãe viria mais tarde a colaborar profissionalmente.
Quanto ao mês de Agosto desse longínquo 1965, as coisas estavam a afigurar-se "tremidas", apesar de ser o mês forte do veraneio, por excelência.
Já dentro do mês apareceu uma família francesa, que arrendou a casa por quinze dias (melhor um pássaro na mão que dois a voar).
No entanto, à pergunta se tínhamos frigorífico e perante a nossa resposta negativa, temi mais uma frustração.
O  chefe da família era o Sr. Mario Radrizzi, francês de ascendência italiana, instrutor numa escola de condução, que se fazia acompanhar da esposa, D. Claudine (ou Mme. Radrizzi-Bertin) e dois meninos: Patrice (8 anos) e Cristophe (6 anos).
Deslocavam-se num Citröen "boca-de-sapo", não sei se um ID ou um DS, mas durante muitos anos era esse o automóvel dos meus sonhos, talvez porque tinha uma grande fileira de botões e interruptores no "tablier".
Para além disso, o Sr. Radrizzi era pescador amador, e trouxera consigo uma cana de "nylon" verde, artigo que eu parecia tardar em possuir, concretizando-se isso três anos depois. Tive duas dessas canas: uma de mar e uma de rio.

Com o Sr. Mario Radrizzi e os seus filhos: Patrice (à esquerda
e Cristophe (à direita).
Em fundo: o antigo "Bairro Flecha", em Espinho, destruído
pelo mar poucos meses depois.
(Fotografia tirada por D. Claudine)





























Começou a minha aplicação prática dos métodos e ensinamentos do Prof. Sá Couto.
Durante aquelas duas semanas acompanhei-os na praia, nas compras, servi de intérprete, etc.
Dias depois fizeram-me o convite para os acompanhar a Fátima.
Minha mãe estava de acordo, e eu, ansioso por experimentar uma longa viagem no "boca-de-sapo", aguardava ansiosamente as "previsões meteorológicas" do casal, porque… não queriam ir com demasiado calor!
Ora em Espinho, capital das nortadas… O que queríamos era calor!
Mas là chegou o dia e foi uma sensação diferente circular a 100 Km. / hora quando, com os "chassos" que havia na nossa família, pouco mais se andava do que a 60 Km. / hora!
Depois da obrigatória visita ao Santuário, fomos almoçar a um dos ainda poucos restaurantes locais.
Quando se escolhiam as bebidas e pediram "eau minérale" (eu conhecia o termo, mas desconhecia que tipo de água era), quis "experimentar" essa água. 
Ora! Eram dessas garrafinhas de uma das nossas conhecidíssimas águas, não me lembro se do Luso, se do Vimeiro, se de…
Depois de mais umas voltas por Fátima, quiseram tomar qualquer coisa fresca e, apesar de em Portugal ainda não haver Coca-Cola comercializada, havia outros refrigerantes com uma fórmula se não igual pelo menos aproximada. 
Mas o empregado, vendo-se perante estrangeiros, sugeriu mesmo "Coca-Cola", e eu quis experimentar mais uma novidade. Veio a copo, e não na habitual garrafinha. Não sei de que fábrica veio este "genérico".
Regressámos a Espinho sãos e salvos.
Durante alguns anos mais correspondi-me com esta família, que residia em Fresnes - Seine, e depois se mudou para a Rue de Vaugirard, em Paris.
Era sempre D. Claudine quem me escrevia.
Infelizmente foi mais uma amizade cujo contacto perdi.
Vou fechar a "arca".
Até à próxima!
Santo e Feliz Natal!
As maiores prosperidades para 2016!


quarta-feira, 17 de junho de 2015

sábado, 28 de março de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - SÒZINHO NO PORTO

Suponho que também foi aí por 1965 que, pela primeira vez, andei sòzinho no Porto.
Naqueles tempos em que nem todos os cidadãos eram beneficiários de um sistema de saúde e segurança social, a minha saudosa Tia Rita, diabética de há longa data, era consumidora habitual do medicamento NADISAN (N1-sulfanilyl-N'-butyl urea).
A Tia Rita vivia do rendimento das suas duas casas: a da Rua 2 nº 935:



e a da Rua 4 nº 1136, em cujos anexos residia, tendo arrendada a casa pròpriamente dita:


Eu e a Tia Rita, em 1964

Como ainda muitos doentes crónicos de hoje, mesmo cobertos pelos sistemas de saúde, a Tia Rita passava sérias dificuldades para ter certinhos os seus tratamentos, pelo que, sempre que possível, se recorria a um subterfúgio ilegal:
Um grande amigo da nossa família, de nacionalidade belga, tinha a sua residência e o seu estabelecimento comercial próximo de algumas importantes farmácias e distribuidores de medicamentos da cidade do Porto.
Quando se proporcionava oportunidade de alguém da família ir ao Porto, ia cumprimentar o grande amigo e este encarregava um dos seus empregados de confiança de ir a uma determinada drogaria distribuidora de medicamentos levantar o NADISAN ou qualquer outro que eventualmente também fosse necessário e.. as droguinhas vinham nos bolsos, às escondidas e pagas a preço para revenda.
Certo dia tocou-me a mim essa tarefa, e meu avô, um obcecado pelo arroz-de-forno, aproveitou para me pedir que lhe trouxesse 100 gramas de açafrão-macho.
Là fui. 
Só que nessa drogaria não tinham o açafrão-macho. Meti o NADISAN ao bolso, agradeci ao nosso amigo belga e despedi-me. 
Procurei o açafrão-macho numa conhecida ervanária, onde pela primeira vez fui tratado por "senhor", e a resposta foi igualmente negativa.
Acabei por ir a uma confeitaria da Rua de Santa Catarina e trouxe o açafrão na apresentação que era então habitual: uns envelopezinhos com uns quantos estames da especiaria mas que nunca perfaria, nem de longe, a quantidade pretendida.
Não era bem aquilo que meu avô queria, mas… Contra factos não podia haver argumentos.
A Tia Rita teve o seu NADISAN e meu avô ficou com açafrão para mais uns alguidares de arroz-de-forno.
As vezes que se seguiram nas minhas deambulações a sós pela minha cidade-natal foram devidas ao problema cutâneo a que já me referi numa crónica anterior.
Uma vez que minha mãe, na qualidade de beneficiária da "Caixa Sindical de Previdência dos Profissionais do Comércio", me proporcionava também direito a assistência médica, fui a algumas consultas do saudoso Dr. Joaquim Moreira da Costa, que me foi receitando umas pomadas e uns comprimidos anti-alérgicos, que de nada me resultaram, pelo que me encaminhou para a consulta de Dermatologia dos Serviços Médico-Sociais, que nesse tempo funcionavam num palacete da Rua de Santa Catarina, onde hoje se encontra instalada a Administração Regional de Saúde do Norte:


As duas ou três primeiras vezes fui acompanhado por minha mãe, tendo sido seguido pelo Dr. Mário Castro, que continuou com a terapêutica de comprimidos anti- alérgicos (lembro-me do ALERCUR) e uns tópicos, como o SYNALAR-N e o CORTICIL-T.


Por fim, minha mãe, para não faltar tanto ao trabalho e tendo chegado à conclusão de que eu já tinha tino para andar sòzinho no Porto, condescendeu em que eu começasse a "treinar" naquele percurso entre a estação de S. Bento e o cimo da Rua de Santa Catarina.
Por fim, o Dr. Mário Castro receitou-me uma pomada manipulada na farmácia, que, tempos depois, acabou por ser o "remédio santo". Mas não só a pomada...
E, por uns tempos, pararam as minhas solitárias deslocações ao Porto.
Com isto, desejo aos meus queridos leitores uma Santa e Feliz Páscoa!


FIM





sábado, 14 de março de 2015

sábado, 7 de março de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - ATLETA DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE ESPINHO, POR FORÇA DAS CIRCUNSTÂNCIAS

Uma das minhas primeiras manifestações de puberdade foi um estranho prurido no dorso das mãos, que afinal era o prenúncio de que eu iria ter umas mãos hirsutas, o que eu ainda desconhecia mas que veio a confirmar-se:



Feito um diagnóstico caseiro, atribuímos esse prurido a "má circulação". Eu sempre me baldei às irregulares aulas de ginástica do Colégio de S. Luís, porque eram mesmo irregulares: umas vezes ia carregado com o equipamento e não havia aula, outras vezes não o levava e havia.
Concluindo:  eu necessitava de exercício físico.
Como tal, procurei a Associação Académica de Espinho, clube de desporto de alta competição,  e inscrevi-me em Ginástica, não podendo afirmar em que mês, mas estou a reportar-me a 1965. Há meio século, portanto.


A sede da "Académica" era no 2º Andar do prédio onde se situava o saudoso "O Nosso Café", na esquina da Rua 8 com a Rua 21, com entrada por esta última.
Era seu Presidente da Direcção o Arquitecto Jerónimo Reis, Vice-Presidente da Câmara, que mais tarde haveria também de ser também Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Espinho, no tempo em que prestei serviço nesta corporação.
O ginásio da "Académica" situava-se numa fábrica de brinquedos desactivada, na esquina das ruas 29 e 4, com entrada por aquela.
Era nosso monitor o Engº. João José Justiniano.
O tempo passava e o referido prurido não. Já se impunha recorrer à medicina para resolver o problema.
Primeiro começámos por aqueles cremes e pomadas conhecidos, como o velho Pomito Lencart:


Um dia fui para o colégio com pensos nas mãos, impregnados de um destes produtos. Comentário do Pe. Costa:
- Pareces um leproso…
Não voltei a levar as mãos "empanadas"…
A nossa classe de Ginástica esteve presente no encerramento da Semana do Desporto do Distrito de Aveiro, no Estádio Mário Duarte.
Era suposto recebermos todos a respectiva medalha comemorativa, mas quando  o nosso representante se dirigiu à tribuna para receber as medalhas, já estas tinham acabado. Ficou a promessa que seriam posteriormente remetidas para Espinho.
A promessa concretizou-se, mas nunca cheguei a ostentar ao peito a medalha, porque entretanto a minha "carreira" de atleta acabou por motivos que posteriormente virei a narrar. Mandei fazer-lhe uma moldura e tive-a por muitos anos na parede. Contudo, com mudanças e andanças veio a extraviar-se.
Iniciadas as férias grandes inscrevi-me na natação, também  através da AAE, cujo ensino tinha lugar na Piscina Solário Atlântico.


Aqui tive como instrutor o malogrado Prof. Sampaio Maia, tràgicamente morto anos mais tarde, em combate, no Ultramar.
Eram porteiros da piscina dois senhores muito zelosos, que nunca nos deixavam entrar sem um responsável: o Sr. Álvaro e o Sr. Alberto.
Os muitos anos de casa e bom serviço valeram-lhes ter uma fotografia deles na portaria da Piscina.
Prossegui com tratamentos medicamentosos e outros, que futuramente referirei, e que finalmente resultaram.
Contudo, prossegui a minha "carreira" de ginasta, ainda que com o contratempo de um atraso no início do ano lectivo, porque o "ginásio" da Rua 4 esquina da Rua 29 foi requisitado pelas autoridades para abrigar as famílias do "Bairro Flecha", situado na praia junto à fábrica das conservas, e que fora destruído pelo mar.
Com algum atraso, reiniciámos as nossas actividades no salão nobre da Piscina, aquele espaço em forma de concha, cujo tecto era estucado com a forma das nervuras de uma, com uma vista de sonho sobre o mar e o Norte! Ali tinha decorrido, no encerramento do ano de actividades, o sarau de ginástica, em que participei apenas como espectador, levando no bolso um exemplar das "Selecções do Reader' s Digest" para ler quando algum número não me interessasse.
Era um espaço  que me fascinava!
Realojadas as famílias do "Bairro Flecha", regressámos ao nosso velho "ginásio", estando já em projecto o actual pavilhão desportivo, em frente ao Cemitério Municipal, e a que justamente foi dado o nome de "Pavilhão Arquitecto Jerónimo Reis".
Todavia, a minha  "carreira" desportiva terminou muito antes da conclusão do pavilhão. 
Quanto aos pruridos… Tratá-los-ei numa próxima crónica, relacionando-os com outras "coisas" da "arca deste velho"!

FIM




sábado, 28 de fevereiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - UM DEVER A CUMPRIR, ANTES DE PROSSEGUIR COM OUTROS TEMAS

Como julgo já ter escrito, os anos de Espinho foram os mais marcantes da minha vida, pois foi ali que passei toda a adolescência, período incontornável de formação do carácter.
Para além da minha família biológica, durante alguns anos o Colégio de S. Luís foi a minha "segunda família", uma vez que ali recebi o complemento da educação.
Por isso mesmo é sobre essa casa, que chegou a ser a "universidade" de Espinho, que me vou hoje debruçar, não fazendo a sua história que, felizmente, já está exaustivamente contida no precioso livro abaixo figurado, publicado em 2013, mas homenageando aqui aqueles professores, prefeitos, auxiliares e colegas que me acompanharam durante esses inesquecíveis seis anos:


Quanto a colegas vou indicar apenas os que me acompanharam em cada ano de frequência.

Começarei pelos professores e respectivas disciplinas:

Prof. Acácio Ernesto da Silva Luz - Educação Física.
Prof. António da Rocha Madureira - Português.
Dr. Augusto Rebelo Correia - Português.
Engº. Francisco António de Castro Carrão - Físico-Química e Desenho.
Pe. Joaquim Maria de Pinho - História e Moral.
Dr. Joaquim Pinto Correia - Matemática, Físico-Química e Ciências Naturais.
Engº. José Alberto de Garcia Pinto Correia - Matemática e Desenho.
Pe. José Pereira da Costa - Ciências Naturais, Geografia, Moral e Canto Coral.
Prof. Leonel Moreira da Costa - Instrução Primária.
Prof. Manuel de Sá Couto - Francês.
Drª. Maria Augusta Gomes Pimenta - Matemática.
Drª. Maria de Lourdes Henriques Mingocho Pinto Correia - Inglês.
Profª. Maria Hermínia de Castro Barbosa - Instrução Primária.



Prefeitos:

Sr. Abílio António dos Santos Araújo.
Sr. Américo de Magalhães Azevedo.


Pessoal auxiliar:

Sr. Jaime da Silva Freitas (serviços gerais)
Sr. Américo (cozinheiro).


Agora os meus colegas de ano:

Adelino Gomes de Matos Almeida
Adérito Ferreira Couto
Alberto Augusto Pereira Quintas (falecido)
Álvaro Manuel da Graça Soares Ramilo
Américo Mota da Silva
Ângelo de Oliveira Tavares
Ângelo Manuel Loureiro Manero de Lemos
Aníbal Jorge Melo de Azevedo
António Benedito Afonso de Eça de Queirós
António Cardoso da Costa
António Carlos Wanzeler de Oliveira
António de Oliveira Machado
António de Oliveira Santos
António Domingues de Pinho
António dos Santos Dias
António Magalhães de Oliveira
António Manuel dos Santos Oliveira
António Soares Godinho
Artur António Carvalho Teixeira de Oliveira
Camilo Aires Vaz de Pina Cabral (falecido)
Carlos Alberto Costa Teixeira Pinto
Carlos António de Andrade Teixeira Pinto
Carlos Júlio Palminha Dias
Carlos Manuel da Silva Pereira Castro
Cristóvão Gomes Marques
Eduardo Bragança da Silva Pereira (falecido)
Eduardo Jorge de Lima Ferreira Borges
Francisco José Frias Domingues de Oliveira
Francisco José Peixoto Braancamp de Mancelos
Gilberto Samuel Vasco Abella
João Carlos Lima Curral
João Fernando de Viale Moutinho
João Francisco da Silva
João José Dias de Castro Freitas
Joaquim Jorge Mendes Ribeiro
José António da Câmara Pimenta de França
José António da Silva Soares
José Cândido Morais Machado
José Carlos Lopes de Andrade
José Fernando Dias Loureiro
José Manuel Morais de Barros Pereira
José Rui Pinto de Sá Ribeiro
Lino Augusto dos Reis Ferreira
Luís Filipe Pinto Moreira de Sousa
Luís Manuel da Silva Correia Pinto
Manuel Alberto de Amorim Coelho
Manuel José Morais Machado
Manuel Luís dos Anjos Pereira
Manuel Pedro Pereira da Silva
Manuel Tavares de Almeida Vide
Mário Alberto da Silva Soares Pereira
Mário Manuel Ramos Alves da Rocha (Falecido a 10 de Outubro de 2016)
Orlando Filipe Salvador Coutinho
Ricardo Augusto de Oliveira Fernandes
Rui Ferreira dos Reis
Rui Manuel Portela de Azevedo
Sebastião Manuel da Canha do Couto (falecido)
Vítor Ribeiro

Perdoem-me qualquer eventual falha.
Para estes e para todos os outros não mencionados que ainda estão entre nós o meu grande abraço!
Para os que já partiram a certeza de que permanecerão sempre na minha memória!

FIM






sábado, 14 de fevereiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - O MEU ÚLTIMO CORTEJO DE CARNAVAL EM OVAR

Cartaz do Carnaval de
Ovar 1965, da autoria 
de Zé Penicheiro.

A verdade é uma: nunca fui entusiasta do Carnaval, a não ser em muito pequeno, fascinado pelas cores das serpentinas e dos confetti
Depois, já autónomo, em Espinho, chateava-me solenemente levar esguichos de água das "bisnagas".
Fugi sempre de manifestações carnavalescas, por muito familiares que fossem.
Ora considerando que estou a fazer uma retrospectiva da minha existência de há meio século para cà, farão amanhã, canònicamente, porque é Domingo Gordo, (não me lembro ao certo do dia e do mês), cinquenta anos que assisti pela última vez a um cortejo de Carnaval, em Ovar.
Lembro-me de em muito pequeno (talvez aí com cinco ou seis anos) me terem là levado a ver este emblemático desfile. Depois passaram-se os anos, e aos treze là fui, acompanhando a saudosa Tia Rita.
Por essa altura residiam em Ovar os meus primos chamados "de Milheirós", pois até aí tinham habitado nesta freguesia (Milheirós de Poiares), no concelho da Vila da Feira (assim continuo a designar a cidade e cabeça de concelho - burro velho não toma outra andadura).
Assistir ao cortejo seria o fim último do passeio, pois a Tia Rita e a Prima "Maria de Milheirós", de seu nome completo Maria Ferreira da Silva, tinham qualquer assunto importante a conversar, e assim caçámos dois coelhos com uma cacetada.

Minha mãe (ao centro),
com a Tia Rita 
(à direita) e a Prima
Maria (à esquerda).
Fotografia tirada em
Espargo - Vila da 
Feira, em 1969.

Estava um dia chuvoso e frio, e prevíamos que o desfile iria ser um fiasco, pois no que respeita aos corpinhos, estava-se já a sofrer as influências do tórrido Brasil
Lembro-me que usei, como gravata, um cordão vermelho com pontas metálicas douradas, apertado com um passador igualmente metálico tendo em relevo uma cabeça de boi. Estilo "western", com o qual eu delirava… Mas não pensem que foi comprado: um qualquer menino praíista tinha-se esquecido dele em casa dos meus avós, e como esse menino foi para o Brasil… Não havia hipóteses de restituir o dito cordão.
Estava-se numa era em que os mais novos vestiam fatos e agasalhos dos mais velhos, virados e adaptados. E eu tinha um sobretudo negro, que pertencera ao meu pai, virado e adaptado pelo Sr. João alfaiate, morador na Rua 16 e, posteriormente, em frente à estação de Espinho-Vouga.

Com o tal 
sobretudo, em
casa dos Pina 
Cabral, na
Praia Azul.

Pois muito bem. Là fomos para a "pista" e enquanto assistimos à passagem do cortejo, com muitos índios do Brasil apenas de tanguinha, o tempo manteve-se, ainda que "embrulhado", conforme se diz aqui pelo Minho.
Ao retirarmo-nos desabou uma bátega daquelas… Eu e a Tia Rita fomos para a estação. 
Nessa altura a linha já estava electrificada até Ovar, e eu constatei uma curiosidade: quando encostava guarda-chuva ao pescoço sentia uma leve passagem de corrente eléctrica, ainda que fraca, semelhante à que se sente quando encostava a língua aos polos de uma pilha de rádio já descarregada!

Estação de Ovar.





FIM





domingo, 1 de fevereiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - INÍCIOS LITERÁRIOS - 1



Muito pequenino ainda, mal aprendi a escrever, meti-me a "prosas", começando por umas historitas de uma página ou pouco mais.
Como todos os jovens da minha idade, penso eu, pelos meus doze anos vivia o "Mundo de Aventuras", não só na leitura desta publicação como no meu próprio íntimo.
Desde a 4ª classe frequentei o saudoso Colégio de S. Luís, em Espinho, onde tive como condiscípulos os irmãos Viale Moutinho: José, o homem de letras, que dispensa apresentações e a quem abraço desde este "blog", e João Fernando, coleguinha de ano e mais tarde camarada de armas (mais pròpriamente de seringas) no Exército, uma vez que, como eu, era Furriel Miliciano Enfermeiro. Um abraço também para ti, Johny!



Dois aspectos do desaparecido edifício onde
funcionou o Colégio de S. Luís, em Espinho

Sucede que, embora eu nunca o tivesse lido, eu ouvira falar na obra de Robert Michael Ballantyne "Aventuras de um Rapaz nas Florestas do Amazonas". Um título à partida vulgar.
Eu já lera, de Ballantyne, "A Ilha de Coral", outra narrativa que me deixou encantado.
Pòzinhos de uma história, pòzinhos de outra e, um dia, resolvi "escrever um livro". Ilustrado!
Influenciado pelo título acima dei-lhe o epígrafe de "Aventuras de Dois Rapazes nas Florestas Americanas".
O enredo da história, muito resumido, era este: dois irmãos, filhos de um rico banqueiro espanhol, resolveram partir para um imaginário país da América Latina, a Palômbia, em busca de um determinado animal raro.
Porque escolhi os espanhóis como protagonistas? 
Primeiro porque, para os portugueses de há cinquenta anos atrás, a Espanha, apesar do que todos nós sabemos, afigurava-se-nos como uma sociedade onde haviam determinadas vivências aqui desconhecidas ou raras, fossem as touradas de morte, fossem as Semanas Santas, fossem as praias solarengas da Costa Brava (ai as suas frequentadoras…!) quando ainda não se sonhava com o Algarve caótico, etc.
Para os mais modestos, a Espanha eram umas lojas do outro lado da fronteira onde se compravam  caramelos, torrão-de-Alicante/nougat, pão e "Cognac".
Em segundo lugar, talvez tivesse preferido "Nuestros Hermanos" pelo facto de delirar com os filmes do Joselito e da Marisol.


Joselito


Marisol

Já não sei, sinceramente, o que fiz ao manuscrito A5 ilustrado com desenhos a tinta-da-china e guache. Deu-me umas semanitas de trabalho, sempre a ouvir o "recado" de pensar mas era nos estudos e deixar-me dessas fantasias.
Mas a obrinha là ficou concluída, e as folhas fixas com ataches, porque… quem, nesse tempo, tinha um agrafador em casa?
O José Viale Moutinho escrevia algumas coisas na "Defesa de Espinho", semanário regional-nacionalista. Conversávamos sobre as minhas  aspirações "literárias" e ele encorajava-me a prosseguir, ainda que as prosas parecessem disparatadas. 


José Viale Moutinho

A seguir à prosa de aventura e ficção veio-me o desejo de escrever para os jornais.
Pelo Verão de 1964, fez o ano passado, portanto, meio-século, tinha eu concluído o 2º ano dos Liceus, tendo sido dispensado da prova oral com uma média de cerca de 14 valores. Um alívio!
Em Espinho, por essa altura, havia ainda muitíssimas falhas a corrigir, e na "Defesa" iam-se publicando críticas e sugestões.
Passada a época de exames, eu e um colega que passara para o então 5º ano dos Liceus e a quem vou designar por J. M., a fim de preservar a sua privacidade, tornámo-nos muito próximos.
J. M. vivia acima da feira e próximo do colégio, numa casa moderna, e se bem que a sua condição fosse "média-alta" não se rodeava de excessos.
Era assinante de uma revista juvenil chamada "Zorro", e como a ele também mordeu o "bichinho" do jornalismo, começou a escrever pequenas crónicas e reportagens nesta revista, maioritàriamente sobre  actividades ligadas à juventude (lembro-me, acima de tudo, do Circuito Ciclista Infantil de Espinho).


Primeiro exemplar do
"Zorro"

À tarde íamos para a chamada "Praia da Seca", situada a Norte do Rio Largo (o nome desta linha de água soa-me a toponímia do "Far-West"…), ou sentávamo-nos na esplanada do "Avenida", na Avenida 8..
Nas nossas conversas "literárias" ocorreu-me mesmo começar a escrever algo na "Defesa", e para isso foi-me sugerido pelos irmãos Viale Moutinho a encontrar-me com o saudoso director do jornal, Sr. Benjamim Dias, e dar-lhe a conhecer os meus anseios.
E assim fiz.


Sr. Benjamim Dias

O Sr. Benjamim Dias recebeu-me amàvelmente e là me deu umas orientações sobre o que escrever e como escrever.
E assim, para começar, o meu primeiro artigo saíu a público no nº 1690 da "Defesa de Espinho", em 15 de Agosto de 1964:


Enfim… "Português Suave"!
Uns elogiositos da família, amigos e colegas com uma ponita de inveja, e foi tudo.
Considerando que estou a comemorar 50 anos do início de uma fase significativa da minha vida, e que hoje "pus em dia" a última crónica referente ao ano de 1964, pelo facto de motivos alheios à minha vontade não mo terem permitido durante o ano transacto, irei desenvolver mais este tema em crónicas futuras.


O vosso Rob, em Setembro de 1964

FIM

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - SIGA O ENTERRO!

COISAS DA ARCA DO VELHO
SIGA O ENTERRO!

Meu tio-avô Francisco Fernandes Pinto, a quem sempre nos habituámos a tratar por Tio Chico, era irmão de minha avó materna, tendo nascido na freguesia de Fornos, então concelho da Vila da Feira, a 31 de Março de 1883.



Casa de meus bisavós em Fornos, onde 
nasceram o Tio Chico e seus irmãos.
Estas fotografias datam de 1991, com o
prédio já muitíssimo alterado.

Considerando os difíceis tempos de então, uma das saídas para o pequeno Francisco seria a emigração para o Brasil, pelo que foi confiado a uma família de pretensa confiança que o acompanharia nessa viagem pelo Atlântico (consta-se que ainda à vela) até Terras de Vera-Cruz, onde, ao que se julgava, o iriam amparar nos primeiros tempos.
 Pois... Uma vez desembarcados no Rio de Janeiro apenas lhe foi dito isto:
- Meu menino, o Brasil é aqui. Agora governa-te!
E o Tio Chico bem que teve de se desunhar conforme pôde, e assim subiu na vida até ser proprietário de uma agência de câmbios, o que fez dele um próspero “brasileiro de torna-viagem”.
Casou no Brasil por duas vezes: primeiro com uma senhora de origem argentina, de nome Dolores Garcia, e da segunda vez com a tia que eu já conheci, trasmontana de Santa Valha, Valpaços, de nome Adelaide dos Anjos da Mata Pinto.
 De ambas teve filhos, dos quais apenas conheci duas sobreviventes: uma do primeiro casamento (a Prima Antónia) e a outra do segundo casamento (a Prima Madalena). Todos os outros foram ceifados pela tuberculose.

Tio Chico no Rio de Janeiro,
em 1914, com os cinco filhos
mais velhos.

O Tio Chico regressou a Portugal com uma fortuna razoável, que empregou, primeiro, na construção da sua casa um pouco ao estilo “brasileiro”, em Fornos, e, como era costume entre os “brasileiros”, deu-lhe o nome da segunda esposa: “Vila Adelaide”.


Dois aspectos da "Vila Adelaide" de Fornos,
em 2002.

Para além deste prédio, o Tio Chico tinha outros em Espinho, para rendimento, para além da sua residência nesta então vila, onde sempre o conheci, também denominada “Vila Adelaide”, e que hoje serve de Residência Paroquial de Espinho. Este prédio situa-se no ângulo das Ruas 12 e 29.

A "Vila Adelaide"de Espinho, em 2002, 35 
anos após o falecimento do Tio Chico.
Nesta altura encontrava-se em acentuado 
estado de degradação.





A "Vila Adelaide" de Espinho, 
em 2011, já recuperada e 
servindo de Casa Paroquial.

Homem respeitável, profundamente religioso, o Tio Chico foi eleito Presidente da Junta de Freguesia de Fornos.
Certo dia, isto talvez já nos meados do século XX, faleceu na Vila da Feira alguém natural da freguesia de Fornos, e como teria o seu jazigo particular no cemitério desta paróquia, seria para là que se dirigiria o funeral.
Ao que consta, o Sr. Vigário da Vila da Feira à época andava de “candeias avessas”, como costuma dizer-se, com o Sr. Abade de Fornos.
O enterro, depois de ter saído da Igreja Matriz da Vila da Feira, o “Convento”, como ainda é conhecida, dirigiu-se para Fornos.


Igreja Matriz da Vila da Feira, conhecida 
por "Convento", por fazer parte do 
Convento dos Loios, ocupado pelo Tribunal 
da Comarcaapós a extinção das Ordens 
Religiosas.


Ao chegar ao limite das duas paróquias o Sr. Vigário e os acompanhantes da Vila abandonaram o préstito, alegando que o serviço deles terminava ali. Da paróquia de Fornos ninguém estava presente para acompanhar o defunto ao seu destino final. Nem Sr. Abade, nem Cruz, nem ninguém.
 Ninguém quis assumir a responsabilidade de seguir com o funeral para a Igreja Paroquial e para o cemitério de Fornos.


Igreja Paroquial do Divino Salvador
de Fornos.

Então foi alguém procurar o Tio Chico, autoridade civil suprema da freguesia, para desbloquear a situação.
Que fez ele então?
Foi à sacristia, pegou no ritual das Exéquias e deu esta ordem terminante:
- Siga o enterro!
Foi ao encontro do cortejo fúnebre e recitou as orações inerentes ao acto, acompanhando o morto à sua última morada.
Resultado: O Sr. Vigário decretou a excomunhão do Tio Chico, por usurpação de funções. Em relação ao Sr. Abade de Fornos ignoro a atitude do mesmo..
Tudo isto me foi narrado por minha avó materna e pela sua irmã, a nossa querida e inesquecível Tia Rita, e ainda por algumas pessoas de Fornos que se lembram do caso.




Tio Chico com a mãe, a Bisavó Antónia 
(sentada) e as duas irmãs: Maria, minha
Avó materna (à esquerda) e Rita, nossa
saudosa e inesquecível tia (à direita).

Não sei também como foi levantada a excomunhão. Sempre conheci o Tio Chico assíduo aos actos religiosos e comungando.




Tio Chico, em 1964, aos 81 
anos, já viúvo da Tia Adelaide.
Penso ser este o seu último 
retrato.

O Tio Chico faleceu na Arrifana, em casa da Prima Madalena, sua filha, a 8 de Fevereiro de 1967. Está sepultado no Cemitério Paroquial de Fornos, em jazigo próprio.
E, em Fornos, julgo que de geração em geração, ainda se falará nesta ordem do Tio Chico:
- SIGA O ENTERRO!

FIM