QUEM SOU

A minha foto
Braga, Minho, Portugal
Franciscano com paciência beneditina.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - UM DEVER A CUMPRIR, ANTES DE PROSSEGUIR COM OUTROS TEMAS

Como julgo já ter escrito, os anos de Espinho foram os mais marcantes da minha vida, pois foi ali que passei toda a adolescência, período incontornável de formação do carácter.
Para além da minha família biológica, durante alguns anos o Colégio de S. Luís foi a minha "segunda família", uma vez que ali recebi o complemento da educação.
Por isso mesmo é sobre essa casa, que chegou a ser a "universidade" de Espinho, que me vou hoje debruçar, não fazendo a sua história que, felizmente, já está exaustivamente contida no precioso livro abaixo figurado, publicado em 2013, mas homenageando aqui aqueles professores, prefeitos, auxiliares e colegas que me acompanharam durante esses inesquecíveis seis anos:


Quanto a colegas vou indicar apenas os que me acompanharam em cada ano de frequência.

Começarei pelos professores e respectivas disciplinas:

Prof. Acácio Ernesto da Silva Luz - Educação Física.
Prof. António da Rocha Madureira - Português.
Dr. Augusto Rebelo Correia - Português.
Engº. Francisco António de Castro Carrão - Físico-Química e Desenho.
Pe. Joaquim Maria de Pinho - História e Moral.
Dr. Joaquim Pinto Correia - Matemática, Físico-Química e Ciências Naturais.
Engº. José Alberto de Garcia Pinto Correia - Matemática e Desenho.
Pe. José Pereira da Costa - Ciências Naturais, Geografia, Moral e Canto Coral.
Prof. Leonel Moreira da Costa - Instrução Primária.
Prof. Manuel de Sá Couto - Francês.
Drª. Maria Augusta Gomes Pimenta - Matemática.
Drª. Maria de Lourdes Henriques Mingocho Pinto Correia - Inglês.
Profª. Maria Hermínia de Castro Barbosa - Instrução Primária.



Prefeitos:

Sr. Abílio António dos Santos Araújo.
Sr. Américo de Magalhães Azevedo.


Pessoal auxiliar:

Sr. Jaime da Silva Freitas (serviços gerais)
Sr. Américo (cozinheiro).


Agora os meus colegas de ano:

Adelino Gomes de Matos Almeida
Adérito Ferreira Couto
Alberto Augusto Pereira Quintas (falecido)
Álvaro Manuel da Graça Soares Ramilo
Américo Mota da Silva
Ângelo de Oliveira Tavares
Ângelo Manuel Loureiro Manero de Lemos
Aníbal Jorge Melo de Azevedo
António Benedito Afonso de Eça de Queirós
António Cardoso da Costa
António Carlos Wanzeler de Oliveira
António de Oliveira Machado
António de Oliveira Santos
António Domingues de Pinho
António dos Santos Dias
António Magalhães de Oliveira
António Manuel dos Santos Oliveira
António Soares Godinho
Artur António Carvalho Teixeira de Oliveira
Camilo Aires Vaz de Pina Cabral (falecido)
Carlos Alberto Costa Teixeira Pinto
Carlos António de Andrade Teixeira Pinto
Carlos Júlio Palminha Dias
Carlos Manuel da Silva Pereira Castro
Cristóvão Gomes Marques
Eduardo Bragança da Silva Pereira (falecido)
Eduardo Jorge de Lima Ferreira Borges
Francisco José Frias Domingues de Oliveira
Francisco José Peixoto Braancamp de Mancelos
Gilberto Samuel Vasco Abella
João Carlos Lima Curral
João Fernando de Viale Moutinho
João Francisco da Silva
João José Dias de Castro Freitas
Joaquim Jorge Mendes Ribeiro
José António da Câmara Pimenta de França
José António da Silva Soares
José Cândido Morais Machado
José Carlos Lopes de Andrade
José Fernando Dias Loureiro
José Manuel Morais de Barros Pereira
José Rui Pinto de Sá Ribeiro
Lino Augusto dos Reis Ferreira
Luís Filipe Pinto Moreira de Sousa
Luís Manuel da Silva Correia Pinto
Manuel Alberto de Amorim Coelho
Manuel José Morais Machado
Manuel Luís dos Anjos Pereira
Manuel Pedro Pereira da Silva
Manuel Tavares de Almeida Vide
Mário Alberto da Silva Soares Pereira
Mário Manuel Ramos Alves da Rocha (Falecido a 10 de Outubro de 2016)
Orlando Filipe Salvador Coutinho
Ricardo Augusto de Oliveira Fernandes
Rui Ferreira dos Reis
Rui Manuel Portela de Azevedo
Sebastião Manuel da Canha do Couto (falecido)
Vítor Ribeiro

Perdoem-me qualquer eventual falha.
Para estes e para todos os outros não mencionados que ainda estão entre nós o meu grande abraço!
Para os que já partiram a certeza de que permanecerão sempre na minha memória!

FIM






sábado, 14 de fevereiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - O MEU ÚLTIMO CORTEJO DE CARNAVAL EM OVAR

Cartaz do Carnaval de
Ovar 1965, da autoria 
de Zé Penicheiro.

A verdade é uma: nunca fui entusiasta do Carnaval, a não ser em muito pequeno, fascinado pelas cores das serpentinas e dos confetti
Depois, já autónomo, em Espinho, chateava-me solenemente levar esguichos de água das "bisnagas".
Fugi sempre de manifestações carnavalescas, por muito familiares que fossem.
Ora considerando que estou a fazer uma retrospectiva da minha existência de há meio século para cà, farão amanhã, canònicamente, porque é Domingo Gordo, (não me lembro ao certo do dia e do mês), cinquenta anos que assisti pela última vez a um cortejo de Carnaval, em Ovar.
Lembro-me de em muito pequeno (talvez aí com cinco ou seis anos) me terem là levado a ver este emblemático desfile. Depois passaram-se os anos, e aos treze là fui, acompanhando a saudosa Tia Rita.
Por essa altura residiam em Ovar os meus primos chamados "de Milheirós", pois até aí tinham habitado nesta freguesia (Milheirós de Poiares), no concelho da Vila da Feira (assim continuo a designar a cidade e cabeça de concelho - burro velho não toma outra andadura).
Assistir ao cortejo seria o fim último do passeio, pois a Tia Rita e a Prima "Maria de Milheirós", de seu nome completo Maria Ferreira da Silva, tinham qualquer assunto importante a conversar, e assim caçámos dois coelhos com uma cacetada.

Minha mãe (ao centro),
com a Tia Rita 
(à direita) e a Prima
Maria (à esquerda).
Fotografia tirada em
Espargo - Vila da 
Feira, em 1969.

Estava um dia chuvoso e frio, e prevíamos que o desfile iria ser um fiasco, pois no que respeita aos corpinhos, estava-se já a sofrer as influências do tórrido Brasil
Lembro-me que usei, como gravata, um cordão vermelho com pontas metálicas douradas, apertado com um passador igualmente metálico tendo em relevo uma cabeça de boi. Estilo "western", com o qual eu delirava… Mas não pensem que foi comprado: um qualquer menino praíista tinha-se esquecido dele em casa dos meus avós, e como esse menino foi para o Brasil… Não havia hipóteses de restituir o dito cordão.
Estava-se numa era em que os mais novos vestiam fatos e agasalhos dos mais velhos, virados e adaptados. E eu tinha um sobretudo negro, que pertencera ao meu pai, virado e adaptado pelo Sr. João alfaiate, morador na Rua 16 e, posteriormente, em frente à estação de Espinho-Vouga.

Com o tal 
sobretudo, em
casa dos Pina 
Cabral, na
Praia Azul.

Pois muito bem. Là fomos para a "pista" e enquanto assistimos à passagem do cortejo, com muitos índios do Brasil apenas de tanguinha, o tempo manteve-se, ainda que "embrulhado", conforme se diz aqui pelo Minho.
Ao retirarmo-nos desabou uma bátega daquelas… Eu e a Tia Rita fomos para a estação. 
Nessa altura a linha já estava electrificada até Ovar, e eu constatei uma curiosidade: quando encostava guarda-chuva ao pescoço sentia uma leve passagem de corrente eléctrica, ainda que fraca, semelhante à que se sente quando encostava a língua aos polos de uma pilha de rádio já descarregada!

Estação de Ovar.





FIM





domingo, 1 de fevereiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - INÍCIOS LITERÁRIOS - 1



Muito pequenino ainda, mal aprendi a escrever, meti-me a "prosas", começando por umas historitas de uma página ou pouco mais.
Como todos os jovens da minha idade, penso eu, pelos meus doze anos vivia o "Mundo de Aventuras", não só na leitura desta publicação como no meu próprio íntimo.
Desde a 4ª classe frequentei o saudoso Colégio de S. Luís, em Espinho, onde tive como condiscípulos os irmãos Viale Moutinho: José, o homem de letras, que dispensa apresentações e a quem abraço desde este "blog", e João Fernando, coleguinha de ano e mais tarde camarada de armas (mais pròpriamente de seringas) no Exército, uma vez que, como eu, era Furriel Miliciano Enfermeiro. Um abraço também para ti, Johny!



Dois aspectos do desaparecido edifício onde
funcionou o Colégio de S. Luís, em Espinho

Sucede que, embora eu nunca o tivesse lido, eu ouvira falar na obra de Robert Michael Ballantyne "Aventuras de um Rapaz nas Florestas do Amazonas". Um título à partida vulgar.
Eu já lera, de Ballantyne, "A Ilha de Coral", outra narrativa que me deixou encantado.
Pòzinhos de uma história, pòzinhos de outra e, um dia, resolvi "escrever um livro". Ilustrado!
Influenciado pelo título acima dei-lhe o epígrafe de "Aventuras de Dois Rapazes nas Florestas Americanas".
O enredo da história, muito resumido, era este: dois irmãos, filhos de um rico banqueiro espanhol, resolveram partir para um imaginário país da América Latina, a Palômbia, em busca de um determinado animal raro.
Porque escolhi os espanhóis como protagonistas? 
Primeiro porque, para os portugueses de há cinquenta anos atrás, a Espanha, apesar do que todos nós sabemos, afigurava-se-nos como uma sociedade onde haviam determinadas vivências aqui desconhecidas ou raras, fossem as touradas de morte, fossem as Semanas Santas, fossem as praias solarengas da Costa Brava (ai as suas frequentadoras…!) quando ainda não se sonhava com o Algarve caótico, etc.
Para os mais modestos, a Espanha eram umas lojas do outro lado da fronteira onde se compravam  caramelos, torrão-de-Alicante/nougat, pão e "Cognac".
Em segundo lugar, talvez tivesse preferido "Nuestros Hermanos" pelo facto de delirar com os filmes do Joselito e da Marisol.


Joselito


Marisol

Já não sei, sinceramente, o que fiz ao manuscrito A5 ilustrado com desenhos a tinta-da-china e guache. Deu-me umas semanitas de trabalho, sempre a ouvir o "recado" de pensar mas era nos estudos e deixar-me dessas fantasias.
Mas a obrinha là ficou concluída, e as folhas fixas com ataches, porque… quem, nesse tempo, tinha um agrafador em casa?
O José Viale Moutinho escrevia algumas coisas na "Defesa de Espinho", semanário regional-nacionalista. Conversávamos sobre as minhas  aspirações "literárias" e ele encorajava-me a prosseguir, ainda que as prosas parecessem disparatadas. 


José Viale Moutinho

A seguir à prosa de aventura e ficção veio-me o desejo de escrever para os jornais.
Pelo Verão de 1964, fez o ano passado, portanto, meio-século, tinha eu concluído o 2º ano dos Liceus, tendo sido dispensado da prova oral com uma média de cerca de 14 valores. Um alívio!
Em Espinho, por essa altura, havia ainda muitíssimas falhas a corrigir, e na "Defesa" iam-se publicando críticas e sugestões.
Passada a época de exames, eu e um colega que passara para o então 5º ano dos Liceus e a quem vou designar por J. M., a fim de preservar a sua privacidade, tornámo-nos muito próximos.
J. M. vivia acima da feira e próximo do colégio, numa casa moderna, e se bem que a sua condição fosse "média-alta" não se rodeava de excessos.
Era assinante de uma revista juvenil chamada "Zorro", e como a ele também mordeu o "bichinho" do jornalismo, começou a escrever pequenas crónicas e reportagens nesta revista, maioritàriamente sobre  actividades ligadas à juventude (lembro-me, acima de tudo, do Circuito Ciclista Infantil de Espinho).


Primeiro exemplar do
"Zorro"

À tarde íamos para a chamada "Praia da Seca", situada a Norte do Rio Largo (o nome desta linha de água soa-me a toponímia do "Far-West"…), ou sentávamo-nos na esplanada do "Avenida", na Avenida 8..
Nas nossas conversas "literárias" ocorreu-me mesmo começar a escrever algo na "Defesa", e para isso foi-me sugerido pelos irmãos Viale Moutinho a encontrar-me com o saudoso director do jornal, Sr. Benjamim Dias, e dar-lhe a conhecer os meus anseios.
E assim fiz.


Sr. Benjamim Dias

O Sr. Benjamim Dias recebeu-me amàvelmente e là me deu umas orientações sobre o que escrever e como escrever.
E assim, para começar, o meu primeiro artigo saíu a público no nº 1690 da "Defesa de Espinho", em 15 de Agosto de 1964:


Enfim… "Português Suave"!
Uns elogiositos da família, amigos e colegas com uma ponita de inveja, e foi tudo.
Considerando que estou a comemorar 50 anos do início de uma fase significativa da minha vida, e que hoje "pus em dia" a última crónica referente ao ano de 1964, pelo facto de motivos alheios à minha vontade não mo terem permitido durante o ano transacto, irei desenvolver mais este tema em crónicas futuras.


O vosso Rob, em Setembro de 1964

FIM