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sábado, 14 de fevereiro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - O MEU ÚLTIMO CORTEJO DE CARNAVAL EM OVAR

Cartaz do Carnaval de
Ovar 1965, da autoria 
de Zé Penicheiro.

A verdade é uma: nunca fui entusiasta do Carnaval, a não ser em muito pequeno, fascinado pelas cores das serpentinas e dos confetti
Depois, já autónomo, em Espinho, chateava-me solenemente levar esguichos de água das "bisnagas".
Fugi sempre de manifestações carnavalescas, por muito familiares que fossem.
Ora considerando que estou a fazer uma retrospectiva da minha existência de há meio século para cà, farão amanhã, canònicamente, porque é Domingo Gordo, (não me lembro ao certo do dia e do mês), cinquenta anos que assisti pela última vez a um cortejo de Carnaval, em Ovar.
Lembro-me de em muito pequeno (talvez aí com cinco ou seis anos) me terem là levado a ver este emblemático desfile. Depois passaram-se os anos, e aos treze là fui, acompanhando a saudosa Tia Rita.
Por essa altura residiam em Ovar os meus primos chamados "de Milheirós", pois até aí tinham habitado nesta freguesia (Milheirós de Poiares), no concelho da Vila da Feira (assim continuo a designar a cidade e cabeça de concelho - burro velho não toma outra andadura).
Assistir ao cortejo seria o fim último do passeio, pois a Tia Rita e a Prima "Maria de Milheirós", de seu nome completo Maria Ferreira da Silva, tinham qualquer assunto importante a conversar, e assim caçámos dois coelhos com uma cacetada.

Minha mãe (ao centro),
com a Tia Rita 
(à direita) e a Prima
Maria (à esquerda).
Fotografia tirada em
Espargo - Vila da 
Feira, em 1969.

Estava um dia chuvoso e frio, e prevíamos que o desfile iria ser um fiasco, pois no que respeita aos corpinhos, estava-se já a sofrer as influências do tórrido Brasil
Lembro-me que usei, como gravata, um cordão vermelho com pontas metálicas douradas, apertado com um passador igualmente metálico tendo em relevo uma cabeça de boi. Estilo "western", com o qual eu delirava… Mas não pensem que foi comprado: um qualquer menino praíista tinha-se esquecido dele em casa dos meus avós, e como esse menino foi para o Brasil… Não havia hipóteses de restituir o dito cordão.
Estava-se numa era em que os mais novos vestiam fatos e agasalhos dos mais velhos, virados e adaptados. E eu tinha um sobretudo negro, que pertencera ao meu pai, virado e adaptado pelo Sr. João alfaiate, morador na Rua 16 e, posteriormente, em frente à estação de Espinho-Vouga.

Com o tal 
sobretudo, em
casa dos Pina 
Cabral, na
Praia Azul.

Pois muito bem. Là fomos para a "pista" e enquanto assistimos à passagem do cortejo, com muitos índios do Brasil apenas de tanguinha, o tempo manteve-se, ainda que "embrulhado", conforme se diz aqui pelo Minho.
Ao retirarmo-nos desabou uma bátega daquelas… Eu e a Tia Rita fomos para a estação. 
Nessa altura a linha já estava electrificada até Ovar, e eu constatei uma curiosidade: quando encostava guarda-chuva ao pescoço sentia uma leve passagem de corrente eléctrica, ainda que fraca, semelhante à que se sente quando encostava a língua aos polos de uma pilha de rádio já descarregada!

Estação de Ovar.





FIM





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