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sábado, 7 de março de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - ATLETA DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE ESPINHO, POR FORÇA DAS CIRCUNSTÂNCIAS

Uma das minhas primeiras manifestações de puberdade foi um estranho prurido no dorso das mãos, que afinal era o prenúncio de que eu iria ter umas mãos hirsutas, o que eu ainda desconhecia mas que veio a confirmar-se:



Feito um diagnóstico caseiro, atribuímos esse prurido a "má circulação". Eu sempre me baldei às irregulares aulas de ginástica do Colégio de S. Luís, porque eram mesmo irregulares: umas vezes ia carregado com o equipamento e não havia aula, outras vezes não o levava e havia.
Concluindo:  eu necessitava de exercício físico.
Como tal, procurei a Associação Académica de Espinho, clube de desporto de alta competição,  e inscrevi-me em Ginástica, não podendo afirmar em que mês, mas estou a reportar-me a 1965. Há meio século, portanto.


A sede da "Académica" era no 2º Andar do prédio onde se situava o saudoso "O Nosso Café", na esquina da Rua 8 com a Rua 21, com entrada por esta última.
Era seu Presidente da Direcção o Arquitecto Jerónimo Reis, Vice-Presidente da Câmara, que mais tarde haveria também de ser também Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Espinho, no tempo em que prestei serviço nesta corporação.
O ginásio da "Académica" situava-se numa fábrica de brinquedos desactivada, na esquina das ruas 29 e 4, com entrada por aquela.
Era nosso monitor o Engº. João José Justiniano.
O tempo passava e o referido prurido não. Já se impunha recorrer à medicina para resolver o problema.
Primeiro começámos por aqueles cremes e pomadas conhecidos, como o velho Pomito Lencart:


Um dia fui para o colégio com pensos nas mãos, impregnados de um destes produtos. Comentário do Pe. Costa:
- Pareces um leproso…
Não voltei a levar as mãos "empanadas"…
A nossa classe de Ginástica esteve presente no encerramento da Semana do Desporto do Distrito de Aveiro, no Estádio Mário Duarte.
Era suposto recebermos todos a respectiva medalha comemorativa, mas quando  o nosso representante se dirigiu à tribuna para receber as medalhas, já estas tinham acabado. Ficou a promessa que seriam posteriormente remetidas para Espinho.
A promessa concretizou-se, mas nunca cheguei a ostentar ao peito a medalha, porque entretanto a minha "carreira" de atleta acabou por motivos que posteriormente virei a narrar. Mandei fazer-lhe uma moldura e tive-a por muitos anos na parede. Contudo, com mudanças e andanças veio a extraviar-se.
Iniciadas as férias grandes inscrevi-me na natação, também  através da AAE, cujo ensino tinha lugar na Piscina Solário Atlântico.


Aqui tive como instrutor o malogrado Prof. Sampaio Maia, tràgicamente morto anos mais tarde, em combate, no Ultramar.
Eram porteiros da piscina dois senhores muito zelosos, que nunca nos deixavam entrar sem um responsável: o Sr. Álvaro e o Sr. Alberto.
Os muitos anos de casa e bom serviço valeram-lhes ter uma fotografia deles na portaria da Piscina.
Prossegui com tratamentos medicamentosos e outros, que futuramente referirei, e que finalmente resultaram.
Contudo, prossegui a minha "carreira" de ginasta, ainda que com o contratempo de um atraso no início do ano lectivo, porque o "ginásio" da Rua 4 esquina da Rua 29 foi requisitado pelas autoridades para abrigar as famílias do "Bairro Flecha", situado na praia junto à fábrica das conservas, e que fora destruído pelo mar.
Com algum atraso, reiniciámos as nossas actividades no salão nobre da Piscina, aquele espaço em forma de concha, cujo tecto era estucado com a forma das nervuras de uma, com uma vista de sonho sobre o mar e o Norte! Ali tinha decorrido, no encerramento do ano de actividades, o sarau de ginástica, em que participei apenas como espectador, levando no bolso um exemplar das "Selecções do Reader' s Digest" para ler quando algum número não me interessasse.
Era um espaço  que me fascinava!
Realojadas as famílias do "Bairro Flecha", regressámos ao nosso velho "ginásio", estando já em projecto o actual pavilhão desportivo, em frente ao Cemitério Municipal, e a que justamente foi dado o nome de "Pavilhão Arquitecto Jerónimo Reis".
Todavia, a minha  "carreira" desportiva terminou muito antes da conclusão do pavilhão. 
Quanto aos pruridos… Tratá-los-ei numa próxima crónica, relacionando-os com outras "coisas" da "arca deste velho"!

FIM




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