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sábado, 12 de dezembro de 2015

COISAS DA ARCA DO VELHO - A MINHA PRIMEIRA PRÁTICA DA LÍNGUA FRANCESA E A MINHA SEGUNDA IDA A FÁTIMA

O Francês foi sempre a disciplina em que obtive classificações mais altas.
Se a memória me não atraiçoa, andaria sempre entre os 14 e os 18 valores.
Devo-o ao método singular de estudo imposto pelo saudoso Professor Manuel de Sá Couto, o "Teacher" (por também leccionar Inglês) ou, simplesmente, o "Ticha".

Professor Manuel de Sá Couto
(extraído do livro "Colégio de S. Luiz")


























Foi meu mestre durante 5 anos: de 1962 a 1967.
Estamos no Advento, dias pequenos e frios, tempo propício para, no calor do lar, ir à "arca" remexer numas ninharias com meio século.
Conforme julgo já ter escrito numa das "arcadas" anteriores, à semelhança da maioria dos habitantes de Espinho, arrendávamos a nossa casa a veraneantes pelo que, pelos finais de Maio recolhíamos ao rústico rés-do-chão inacabado, onde permanecíamos até ao princípio de Outubro.
O mês de Julho estava sempre assegurado por uma senhora de Avintes estabelecida no Porto, com quem minha mãe viria mais tarde a colaborar profissionalmente.
Quanto ao mês de Agosto desse longínquo 1965, as coisas estavam a afigurar-se "tremidas", apesar de ser o mês forte do veraneio, por excelência.
Já dentro do mês apareceu uma família francesa, que arrendou a casa por quinze dias (melhor um pássaro na mão que dois a voar).
No entanto, à pergunta se tínhamos frigorífico e perante a nossa resposta negativa, temi mais uma frustração.
O  chefe da família era o Sr. Mario Radrizzi, francês de ascendência italiana, instrutor numa escola de condução, que se fazia acompanhar da esposa, D. Claudine (ou Mme. Radrizzi-Bertin) e dois meninos: Patrice (8 anos) e Cristophe (6 anos).
Deslocavam-se num Citröen "boca-de-sapo", não sei se um ID ou um DS, mas durante muitos anos era esse o automóvel dos meus sonhos, talvez porque tinha uma grande fileira de botões e interruptores no "tablier".
Para além disso, o Sr. Radrizzi era pescador amador, e trouxera consigo uma cana de "nylon" verde, artigo que eu parecia tardar em possuir, concretizando-se isso três anos depois. Tive duas dessas canas: uma de mar e uma de rio.

Com o Sr. Mario Radrizzi e os seus filhos: Patrice (à esquerda
e Cristophe (à direita).
Em fundo: o antigo "Bairro Flecha", em Espinho, destruído
pelo mar poucos meses depois.
(Fotografia tirada por D. Claudine)





























Começou a minha aplicação prática dos métodos e ensinamentos do Prof. Sá Couto.
Durante aquelas duas semanas acompanhei-os na praia, nas compras, servi de intérprete, etc.
Dias depois fizeram-me o convite para os acompanhar a Fátima.
Minha mãe estava de acordo, e eu, ansioso por experimentar uma longa viagem no "boca-de-sapo", aguardava ansiosamente as "previsões meteorológicas" do casal, porque… não queriam ir com demasiado calor!
Ora em Espinho, capital das nortadas… O que queríamos era calor!
Mas là chegou o dia e foi uma sensação diferente circular a 100 Km. / hora quando, com os "chassos" que havia na nossa família, pouco mais se andava do que a 60 Km. / hora!
Depois da obrigatória visita ao Santuário, fomos almoçar a um dos ainda poucos restaurantes locais.
Quando se escolhiam as bebidas e pediram "eau minérale" (eu conhecia o termo, mas desconhecia que tipo de água era), quis "experimentar" essa água. 
Ora! Eram dessas garrafinhas de uma das nossas conhecidíssimas águas, não me lembro se do Luso, se do Vimeiro, se de…
Depois de mais umas voltas por Fátima, quiseram tomar qualquer coisa fresca e, apesar de em Portugal ainda não haver Coca-Cola comercializada, havia outros refrigerantes com uma fórmula se não igual pelo menos aproximada. 
Mas o empregado, vendo-se perante estrangeiros, sugeriu mesmo "Coca-Cola", e eu quis experimentar mais uma novidade. Veio a copo, e não na habitual garrafinha. Não sei de que fábrica veio este "genérico".
Regressámos a Espinho sãos e salvos.
Durante alguns anos mais correspondi-me com esta família, que residia em Fresnes - Seine, e depois se mudou para a Rue de Vaugirard, em Paris.
Era sempre D. Claudine quem me escrevia.
Infelizmente foi mais uma amizade cujo contacto perdi.
Vou fechar a "arca".
Até à próxima!
Santo e Feliz Natal!
As maiores prosperidades para 2016!


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