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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

TESTEMUNHO DA IRMÃ MARIA ELISA DE JESUS CRUCIFICADO, CLARISSA COLETINA


TESTEMUNHO DA IRMÃ MARIA ELISA DE JESUS CRUCIFICADO, CLARISSA COLETINA
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    Uma postulante do Mosteiro de Belém, das Clarissas Coletinas de Barhamsville, VA, chamada Kimberly, não sabia qual seria o seu nome de religião, até ser recentemente recebida como noviça.
Kimberly, agora Irmã Maria Elisa de Jesus Crucificado

    Seguindo uma antiga tradição, as Clarissas escolhem o nome dos novos membros da comunidade e sòmente o revelam na cerimónia de recepção.    No seu novo blog, Poor Clare Heart Ponderings,     http://pcheartponderings.blogspot.pt/    contam a história e dizem: 
    "Cremos que é Deus Quem revela este novo nome à Madre Abadessa, que não divulga esse segredo divino até ao final da cerimónia de investidura".





TOMAR O SANTO HÁBITO

    As Irmãs dizem: "Quando uma jovem toma o nosso Santo Hábito, isso significa que ela está "vestida de Cristo ", tomando a Sua Cruz e seguindo os Seus passos numa vida de alegre penitência.
    Sim, alegre penitência!  
    Renunciamos a nós mesmas, não por ódio a nós mesmas, mas para que possamos dar amor ao Divino Noivo que nos acena.  
    Pecado e egoísmo estão no caminho da nossa união com Ele, e então eles devem ser afastados.
    É tão simples como isso..    Em 12 de Dezembro, na linda festa de Nossa Senhora de Guadalupe, a Postulante Kimberly recebeu o hábito e foi transformada numa pobre noviça Clarissa.  
    O seu nome é agora Irmã Marie Elise de Jesus Crucificado.
     Sempre que uma noviça recebe o hábito, é costume escrever uma carta compartilhando reflexos sobre a cerimónia, para edificação das Irmãs.
    A Irmã Maria Elisa é natural do Vietname, tendo emigrado com a família para os Estados Unidos quando ainda era adolescente.
    Ela dá distintamente à nossa comunidade um sabor do Extremo-Oriente.
    Eis aqui trechos das suas reflexões:


   Graças ao Senhor porque Ele é bom. 
  O Seu amor é para sempre!  
     
    Jesus disse aos seus discípulos: "Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por Minha causa, há-de encontrá-la "(Mt 16, 24-25).
     Seguindo os passos de Cristo, entrei no mundo das Clarissas.  
    Um mundo cheio de maravilhas, um mundo que suscita tanta humildade, e,  especialmente a Santa Pobreza.
    Que é isto tudo?  
    Qual é o segredo que atraiu tantos homens e mulheres de gerações passadas até agora a abraçar este tipo de vida? 
    Esta vida deu muitos santos à Igreja.  
    Isto fez-me ponderar e procurar o segredo.  
    Procurei todos os livros que falavam sobre a humildade franciscana e a Santa Pobreza, e isso foi para muito interessante e delicioso.
     Mas Deus teve uma maneira diferente de me ensinar da maneira que eu menos esperava, quando eu me abri para abraçar a vida de pobre Clarissa.  
    Deus usou a Sua vida como uma lição. 
    E para minha compreensão mais profunda, para que pudesse lembrar-me da lição durante mais tempo (Ele sabia muito bem que sou uma estudante esquecida), aplicou a lição à minha própria experiência de vida.
     Mas não me informou de que o faria desta maneira.  
    É por isso que me senti miserável no meio do sofrimento, e despojada de tudo.
    Não é uma maneira divertida de aprender!  
    Não estava experimentada em ter coisas, roupas, mas no desfazer-me delas. 
    Despojando-me de tudo o que era caro para mim e de tudo no que eu tinha orgulho.
     A nossa Madre Abadessa que é doce e sensível perguntou-me se estava nervosa ou animada com a investidura.  
    Perguntou-me: "Vais chorar no dia?" 
    A minha resposta era a mesma de sempre: "Não"!  
    Ela disse que estava nervosa e animada, e que ia chorar por mim.  
    No dia anterior à investidura, a Madre Abadessa fez-me as mesmas perguntas e senti pena de lhe dar a mesma resposta e ela disse-me que eu era estranha!
     Sorri e disse-lhe em pensamento: "Sim, eu sou estranha, assim como a Madre é estranha, ao escolher este tipo de vida - ser pobre e desconhecida, diferente do normal do Mundo".
    Por outro lado, a Madre Vigária, minha caríssima Mestra de Postulantes, parecia muito calma, sem emoções, mas tem-nas.  
    É americana, mas de certo modo tem uma característica típica das mães vietnamitas, que geralmente não expressam em palavras o amor ilimitado pelos filhos.
...característica típica das mães vietnamitas...

    Mas expressam o amor no abraço voluntário de todas as dificuldades da vida por causa da felicidade e bem-estar dos filhos. 
    E assim talvez não seja difícil para mim reconhecer as mensagens não ditas do amoroso cuidado da minha querida Mestra, que estava sujeita a inúmeros e árduos sacrifícios para prover a todas as minhas necessidades físicas e espirituais.
    Também foi para mim muito interessante observar como as Irmãs da comunidade se prepararam para o meu dia de investidura, com um mês de antecedência. 
    O seu amor, o cuidado e a alegria fizeram-me sentir muito especial.  
    Senti-me como uma noiva duma aldeia campestre do Vietname.  
    O seu casamento traz alegria e emoção a toda a aldeia.  
    O dia chegou!
...como uma noiva duma aldeia campestre do Vietname.
    Toda a gente, excepto eu, estava animada, incluindo a Madre Vigária.  
    E também não estava preocupada, porque a Madre Vigária me disse para não estar.
    Sabia que ela era uma pessoa bem preparada.  
    Ao longo da cerimónia, eu segui o que a Madre Vigária me dizia para fazer.
    O meu ponto de viragem foi o corte do cabelo.  
O meu ponto de viragem foi o corte do cabelo. 

    É embaraçoso estar na frente das pessoas com o cabelo cortado. 
    Vi que cada irmã olhava para mim, e imaginei tudo o que eu assim poderia parecer.     
    Não queria saber o que as irmãs viam e/ou o pensavam de mim, e então fechei os olhos e parei completamente a minha imaginação. 
    Rendi-me.
    Na quietude da mente e do coração, na completa rendição, os meus sentidos espirituais começaram a abrir-se.  
    Vi a Madre Abadessa representando Deus, desfigurando-me e destruindo a minha auto-imagem que eu amava e ostentava.
    Vi-me então no coração puro e casto de Jesus.  
    E quando a Madre me colocou o toucado na cabeça, vi a porta do Coração de Jesus fechar-se lentamente diante de mim.  
E quando a Madre me colocou o toucado na cabeça, vi a porta do Coração de Jesus fechar-se lentamente diante de mim.

    Fechou-se completamente quando me foi posto o véu.  
    Então ouvi a voz de Jesus dizer-me: "És minha".  
    O meu coração encheu-se com a felicidade e a alegria da liberdade interior que me permite ser possuída por Deus.
    Então as lágrimas começaram-me a correr dos olhos fechados.  
    Chorei!  
    Quando a Madre Abadessa me fez sinal de me levantar para o beijo da paz, levantei-me como uma pessoa nova, não tanto pela aparência externa, mas pelo que sentia por dentro.
    Depois da cerimónia, acompanhei a Madre Abadessa e a Madre Vigária ao locutório, para cumprimentar a minha família. 
    Dei-lhes o meu cabelo, mas eles ficaram relutantes em aceitá-lo. 
  
Dei-lhes o meu cabelo, mas eles ficaram relutantes em aceitá-lo.   

    Isto era compreensível, porque na minha cultura vietnamita só guardamos o cabelo dos mortos.
    Mas isto era de esperar, pois quando lhes disse que entraria no mosteiro eles choraram, porque na sua maneira de ver era como se morresse. 
    Tive uma demorada visita da minha família.  
    Com a alta tecnologia, seria capaz de falar ao mesmo tempo com toda a minha família em lugares diferentes, incluindo no Vietname.  
    Parecia que tínhamos uma reunião de família no locutório.  
    Lamento não me lembrar do programa que as Irmãs me fizeram.
    A razão pela qual talvez não me lembre é que quando vi as Irmãs a dançar diante de mim, tudo o que eu podia ver era o seu amor, que está profundamente gravado no meu coração.  
    Eu sabia que tinham dispendido muito tempo e esforço para preparar o programa, apesar das suas ocupações.
...tudo o que eu podia ver era o seu amor, que está profundamente gravado no meu coração.

     Pessoalmente, preferiria que as Irmãs não gastassem esse tempo e essa energia comigo, mas eu valorizo tudo o que fizeram, porque essa é uma das maneiras pelas quais e mostram amor e cuidado.
     Da mesma forma, vós mostrásteis o vosso amor e cuidado, ao gastar tempo e energia nos postais que me escrevesteis.  
    É verdade que tudo passará com o tempo, mas só o amor permanece.  
    O dia terminou com recreio, mas eu comecei uma vida nova - uma vida em Cristo sòzinho.  
    A Santa Pobreza despojou-me do amor e do interesse próprios, e reduziu-me a tal estado de nudez que me vejo verdadeiramente nada.  
    Ela enterra-me em humildade, e humildade é verdade.  
    A Santa Pobreza levanta-me acima de tudo o que é muito querido à natureza humana, que tenta cativar-me: honra, talentos, conhecimento, estima, afeição, respeito e amor dos homens, para que eu possa pertencer exclusivamente a Deus.
   Porque estou feita sòmente para Deus.  
   Agora eu não glorio em nada excepto em Jesus Cristo crucificado.  
   Para sempre seja Deus louvado, 
   Amén!
 

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