QUEM SOU

sábado, 14 de janeiro de 2017

ÂNCORA





Contai
Pescadores, marinheiros, homens do mar!
Nas noites de maré alta,
Nas noites de lua cheia 
Histórias do vosso mar, dos vossos veleiros, 
Em noites de naufrágio, de lutos, de gritos, de esperanças,
Nos fundos angustiados do mar! 
Contai histórias de encantar
Às varinas, às moçoilas filhas de velhos lobos do mar!...
Do Portinho!...
Do Cruzeiro!...
Da princesa que roída de amores se deixou degolar,
Da Âncora dourada que ficou no azul do mar!
Da Serra d' Arga, de Bulhente, da capelinha distante, 
                                                                                        da cruz traçada do santo romeiro!
Do rio remançoso nos açudes e moinhos sempre a marulhar!
Das sereias que em noite de maré alta,
Em noites de lua cheia na Praia das Crianças vão brincar!
Do Calvário - via-sacra da filha do marinheiro
Em noites tenebrosas de tormentas que fazem naufragar!
DA SENHORA DA BONANÇA!
Contai
Marinheiros, pescadores, filhos dos homens do mar
Que là...
Há sempre chamas de velas, lágrimas, luto, súplicas
Da mulher, da mãe, da filha
Do velho marinheiro!
Là...
É que está a esperança dos Homens do Mar!
Là...
É que os pescadores,
Os velhos marinheiros
Se descobrem em seu respeito ao passar!


Francisco Sampaio
(Âncora Terra e Mar)
 

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