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Braga, Minho, Portugal
Franciscano com paciência beneditina.

sábado, 11 de agosto de 2018

PRADO SANTA MARIA ─ AMIGÁVEL PARA COM OS DESCALCISTAS

    Ontem, dia 9 de Agosto de 2018, levei a cabo a minha primeira grande caminhada descalça deste ano.
    Prado Santa Maria, outrora uma sede de concelho até à reforma administrativa de 1855, foi sempre, para mim, um local de visita frequente e quase obrigatória.
    Planeando as grandes caminhadas para este ano, tomei como critério começar pelo canto Noroeste da Carta Corográfica de Portugal referente a Braga e seguir os ponteiros do relógio.
    Começando por Prado Santa Maria, seguiria por um caminho já conhecido, por Santa Marinha de Oleiros e daí para Atiães, com o objectivo, não conseguido, de atingir Freiriz. Tudo isto no concelho de Vila Verde, ainda que, até 1855, todas estas paróquias tenham pertencido ao extinto concelho de Prado.
A meio da Ponte de Prado, entrada da vila.
    Desde que comecei a passar por Prado que escolhi a capela de S. Sebastião para as minhas devoções.
    Templo sempre aberto, onde reina o silêncio e o acolhimento, ainda não tinha eu aderido integralmente ao descalcismo e já sentia, como Moisés no Horeb, que ali tinha de entrar descalço.
    E descalçava-me à entrada, deixando as sandálias junto ao confessionário que fica ao lado direito, logo quem entra.
Capela de S. Sebastião, em Prado Santa Maria.
    Como habitualmente, fiz as minhas orações da manhã (eram cerca de 10 horas).
    Ofícios de Leitura, Laudes e Tercia.
    E também um Terço: 50 beijinhos a Nossa Senhora!
    O meu amigo Santo António parecia pedir-me para tirar uma fotografia comigo, e eu satisfiz o seu desejo:
Dois franciscanos...
    Terminado este tempo de oração e meditação retomei o caminho, passando pela igreja velha, ao lado da qual, escondida, começa a estrada que leva a Santa Marinha de Oleiros, já minha conhecida de percursos anteriores.
Fonte de Santo António, no caminho para a igreja velha de Prado.
Igreja velha de Prado Santa Maria.

Edificado antigo, à entrada do caminho que, ao lado da antiga
igreja paroquial, liga Prado a Santa Marinha de Oleiros.
A caminho de Santa Marinha de Oleiros.
     Durante este percurso gravei um video, o qual, pelo seu tamanho, não pôde ser inserido nesta crónica, mas que será exibido à parte, em partilha do YouTube.
     A antiga freguesia de Santa Marinha de Oleiros pertenceu ao concelho de Prado, extinto em Outubro de 1855, tendo então passado para o de Vila Verde.
Igreja paroquial de Santa Marinha de Oleiros. 
Edificado no centro de Santa Marinha de Oleiros, no início da
década de 90.
    Passando Oleiros, continuei o percurso, agora em direcção a S. Tiago de Atiães.
    Como já passava do meio-dia e encontrasse à minha direita a capela de Santa Marta, cujo adro ainda se encontrava adornado das festas celebradas no dia 29 de Julho, resolvi fazer ali um alto, primeiro para, à sombra deste templete fazer a minha oração de Sexta e tomar a minha «ração de combate»: uma lata de sardinhas com pão-de-forma e uma laranja.
    E beber muita, mas mesmo muita água!
No adro da capela de Santa Marta, em Atiães, ainda engalanado
para as festas do dia 29 de Julho.
    Como o calor se começasse a acentuar, agravado pela aspereza do asfalto, comecei a sentir uma certa necessidade de refrescar e aliviar os pés descalços.
    A carta corográfica sinalizava uma nascente ali perto, e ela ali estava, mesmo na berma, alimentando tanques de rega de um campo de milho situado do outro lado da estrada.
    Era um oásis neste deserto de asfalto!
    Estava desnivelada em relação ao pavimento, mas cobria-a uma «uveira», ou «vinha-de-enforcado», uma bela sombra!
    Aqui gravei também um vídeo, que, dado o seu tamanho, será exibido à parte.
    Recomposto, segui para o centro de Atiães, onde se ergue a igreja paroquial e, um pouco por detrás desta, a capela de S. Sebastião, num pequeno alto.
    Atiães pertenceu ao extinto concelho de Prado até 1855. 
   Já existia no século XI e foi mencionada num documento de 1073.
Igreja paroquial de S. Tiago de Atiães.


Capela de S. Sebastião.
No adro da capela de S. Sebastião.
    O meu objectivo era agora chegar a Freiriz, mas desde 1989, data da elaboração da mais recente carta corográfica, muita coisa mudou, e ainda que tivesse pedido informações a um habitante, a diversidade de opções de caminho, a diferença entre o mapa e a realidade do terreno, o asfalto a uma temperatura insuportável para pés descalços aliado a uma aspérrima gravilha, forçaram-me a arrepiar caminho.
Carta Corográfica de Portugal 5D, Escala 1/50000 ─ Está assinalado a lápis o meu
percurso em 9 de Agosto de 2018.
    Um pouco à toa procurei regressar pelo caminho mais directo e com menos riscos.
    Necessitava de outro pedilúvio, e, a determinado ponto, pareceu-me reconhecer um determinado local, que se mee afigurava como uma miragem no deserto.
    Mas não era miragem: era aquela mesma nascente, na berma, sob a vinha-de-enforcado!
    De novo procedi a um reconfortante pedilúvio, experimentando, pela primeira vez, recitar a Liturgia das Horas, a hora de Noa, com os pés debaixo de fresca água corrente!
    Continuando, encontrei mais adiante (maravilha!) um tanque de lavagem e de rega à face da estrada.
    Uma verdadeira piscina!
    Aqui fiz um alto para comer umas bolachas e uma laranja, e beber mais água (trouxe comigo dois litros).
    Mas não fiquei por aqui!
    Medida a profundidade do tanque e verificando que a água me dava acima dos joelhos, pus-me em calções de natação e entrei nela.
    Uma delícia!
    Chegou entretanto um casal de habitantes que abriu uma comporta a fim de proceder à rega de um milharal que possuía ali ao lado.
    Perguntei à senhora se a água que saía da bica para abastecer o tanque era boa para beber, ao que ela respondeu afirmativamente, dizendo que ali ia muita gente encher garrafas de água.
    Agradeci e enchi os cantis.
    Depois gravei este video:

No tanque de Atiães.

    Dores de pés, calor, cansaço, etc., é claro que tudo isso é apanágio de um caminheiro descalcista, que fez nesta data a sua primeira grande caminhada do ano.
    Em casa há sempre um chuveiro frio, com esfoliação dos pés a pedra-pomes, e antes de deitar um novo pedilúvio, seguido de massagem com creme de aloé vera e/ou manteiga de karité.
    E os pés estão prontos, porque, se Deus quiser, para a semana haverá mais.

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