QUEM SOU

A minha foto
Braga, Minho, Portugal
Franciscano com paciência beneditina.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

BOA VIDA ─ SEGREDOS DE PORTUGAL: BAREFOOT, O RITUAL DOS PÉS DESCALÇOS

    É uma experiência única e com comprovados resultados para bem-estar do corpo e da mente. 

    Está disponível no H2otel, em plena Serra da Estrela.



Talvez não saiba, mas andar descalço, sobre pedras, areia, lama e outros materiais, é uma atividade que lhe irá trazer benefícios à saúde e ao intelecto. No H2otel – Congress & Medical Spasabem-no muito bem e decidiram partilhar com o público essa experiência única e retemperadora. Não é preciso ser hóspede para ter uma experiencia única na natureza que relaxa a alma e a mente, graças à passagem com os pés descalços, neste Circuito Barefoot, por areia fina, areia grossa, pedra rolada, casca de pinho, lama, e até a fresca água da Serra da Estrela.
A passagem pelos diferentes materiais possibilita a massagem de diferentes pontos, estimulando assim diferentes partes do corpo. Ao por o pé nestes materiais ativa inúmeros nervos existentes na planta dos pés que, por sua vez, se encontram ligados por meio de ramificações aos diversos órgãos internos, a coluna vertebral, ao cérebro e aos membros superiores e inferiores do corpo. Caminhar torna-se neste Circuito Barefoot, uma excelente forma de favorecer o bom funcionamento do corpo bem como a recuperação do equilíbrio perdido.
Andar descalço é apenas um dos segredos guardados no coração da Serra da Estrela, que o H2otel – Congress & Medical Spa tem para descobrir. O hotel medicinal tem à disposição, além de modernos e confortáveis quartos para uma escapadinha ou umas férias retemperadoras, várias opções de turismo de saúde, cada vez mais procuradas por visitantes nacionais e internacionais.
No centro 100% Wellness, com o nome AQUADOME, os tratamentos dividem-se em quatro grandes áreas. O AquaTermas, que é o mais moderno centro termal do país, vocacionado para as doenças respiratórias. O AquaFisio, um centro completo de fisioterapia e osteopatia, o AquaCorpus, para que o corpo e a mente se re-encontrem, associando alta estética a terapias orientais e ainda o AquaLudic, um inovador conjunto de piscinas dinâmicas tematizadas com circuito celta.
O H2otel – Congress & Medical Spa dispõe igualmente do restaurante Alquimia, onde poderá provar os sabores da gastronomia de alta montanha, sem esquecer a vertente do tratamento, possibilitando ementas vegetarianas e ligth. Estas últimas ementas são preparadas à medida do cliente, após avaliação nutricional efetuada pela equipa médica, no âmbito do programa integrado de Medical Spa. Um espaço único, com a vantagem de ter ainda uma vista única e uma deslumbrante paisagem sobre o Vale Glaciar da Alforfa, no lado sudoeste da Serra da Estrela.








quarta-feira, 14 de novembro de 2018

terça-feira, 13 de novembro de 2018

PERGUNTEM A UMA FREIRA, E ELA RESPONDERÁ

Irmã Verónica.

A Ir. Verónica, da Congregação das Irmãs Franciscanas 

Capuchinhas de Nazaré, responde a algumas perguntas.

Publicado no One Catholic Mama em 8 de Julho de 2013

http://www.onecatholicmama.com/2013/07/ask-nun-answers-part-i.html

http://www.onecatholicmama.com/2013/07/ask-nun-answers-part-ii.html

http://www.onecatholicmama.com/2013/07/ask-nun-answerspart-iii.html

Tradução de Rob

I
    Na semana passada, dei a todos os meus queridos leitores a oportunidade maravilhosa de perguntar o que quisessem a uma freira, real e viva.
    Minha irmã, Ir. Verónica, das Irmãs Capuchinhas de Nazaré está aqui (casa da família - N. T.) na sua visita anual.
    Bem, todos vós fizesteis algumas perguntas maravilhosas.
    Na verdade, havia tantas perguntas boas ... Algumas bastante envolventes...

    P - A freira pode fazer um delicioso bolo de gelado para a nossa festa deste fim de semana e partilhar a receita?

    R - Sim, querido cunhado, eu fiz bolo de gelado neste fim de semana, visto que é a tradição de anos passados, e espero que tenhas desfrutado pela primeira vez de um bom tratamento saudável - na nossa visita a casa todas nós gostamos de fazer alarde.
Nós (as irmãs religiosas) geralmente não comemos doces, carne ou salgadinhos durante a semana, excepto aos Domingos e feriados, mas nas nossas visitas a casa estamos isentas disso.
Aqui está a receita para os leitores da Amélia:

    BOLO DE GELADO CELESTIAL
1 pacote de bolachas oreo
2 caixas de gelado (melhor o de baunilha ou chocolate)
1 frasco de cobertura de gelado (ou seja, molho de chocolate, caramelo, etc)
1 lata de cobertura de baunilha
Granulados

    Esmaga 1 pacote de bolachas oreo (sem glúten, se necessário) e pressiona no fundo da forma.
    Abre 1 caixa de gelado e espalha sobre as biscoitos esmagadas.
    Congelar durante três horas.
    Derrete a cobertura que auiseres usar usar (eu fiz uma com molho de chocolate no meio e um com caramelo no meio) e despeja sobre o bolo.
    Congelar durante, pelo menos, três horas.
    Abre a outra embalagem de gelado e espalha por cima do gelado e do molho.
    Congelar durante, pelo menos, uma hora.
    Espalha a lata de cobertura de baunilha em cima do bolo e cobre com granulado.
    Congelar durante mais três horas, antes de servir.

    P - Eu não tive berço católico, e nunca fui para uma escola onde fosse ensinado por freiras, e então, quando vou pela rua e sempre que vejo uma freira, sinto o forte desejo de ir ter com ela e dizer algo como: "Eh! Também sou católico!"
    Seria isso descontroladamente inapropriado?
    Como é que as pessoas se costumam aproximar de ti?
    Que dizem para puxar conversa?

    R - Eu muito gostaria que alguém dissesse "Eh! Também sou católico!"
    As pessoas, geralmente, não têm a menor ideia do que hão-de dizer, e sabemos que as pessoas se sentem um pouco estranhas ao conversar com as irmãs, e então estamos habituamo-nos a qualquer tipo de conversa.
    Como testemunho público do Evangelho (é para que serve o hábito, lembrar que somos do Povo de Deus), ouvimos muitos comentários e sentimos olhares interessantes.
    Pergunta à minha irmã Amélia, quando ela vai comigo a qualquer lado!
    Normalmente, a melhor maneira de começares uma conversa com uma irmã é da mesma forma que começas com qualquer outra pessoa - fala um pouco sobre ti, faz perguntas ("Qual é a sua ordem?" É típico), apresenta os teus filhos.
    Muitas pessoas até nos dizem: "A minha filha nunca tinha visto uma freira" ou coisas assim.
    Trago medalhas milagrosas no meu bolso – pensa.
    Talvez até possas ter um brinde!

    P – Gostaria muito, muito, muito que a minha filha fosse para freira ou um dos meus futuros filhos fosse também freira ou padre.
     No início, em especial, que te iniciou nesse caminho?
    Que recomendarias que eu fizesse (além de orar, é claro) para ajudar os meus filhos a discernir uma possível vocação religiosa?

    R - Primeiro de tudo, julgo óptimo que estejas aberto a ter um das tuas filhas como irmã.
    Muitas vezes são os pais, na verdade, os maiores obstáculos às raparigas entrarem para o convento.
    Eles não querem que as filhas fiquem por casar, ou não vão para a faculdade, ou sejam "mal-sucedidas", e, aos olhos deles, infelizes.
    Na verdade, se uma jovem tiver uma vocação religiosa, ela não será realmente feliz se fizer outra coisa!
    Deus chama desde o ventre materno, e por isso Ele já sabe que a tua filha tem vocação para a vida religiosa (procuro sempre inflamá-la nas minhas sobrinhas e sobrinho!).
    Uma boa maneira de promover a possibilidade de uma vocação em tenra idade é apresentar a tua filha a irmãs com hábitos, ou se isso não for possível - eu sei o quão difícil é encontrá-las às vezes - ler para ela vidas de santas.
    Santa Teresa inspirou muitas meninas que estão agora connosco.
    As imagens dos santos ou as "bonecas vestidas de freira" também ajudam muito.
    Eu "brinco às freiras" com as minhas sobrinhas, para lhes ensinar como é a vida religiosa.
    Li a história de Santo António (na verdade escrita pela nossa mãe) quando tinha 12 anos de idade, e ela queria que nós lhe fizéssemos a respectiva revisão de provas - uma manobra sorrateira para nos fazer ler as vidas dos santos, devo dizer.
    Isso realmente fez arder o meu coração, passando a querer viver como ele ou como Santa Clara, também mencionada no livro.
    Naquela época nunca tinha encontrado uma irmã com hábito, ou uma irmã com menos de setenta anos, e então pensei que já não existiam!
    A minha vocação realmente "explodiu" quando conheci pela primeira vez a minha comunidade, como uma caloira do ensino médio, e me apercebi que os franciscanos que realmente viviam a pobreza e a vida religiosa não estavam extintos.
    E finalmente, como disseste, ensina os teus filhos a orar, para que eles possam conhecer a vontade de Deus acerca deles.
    Eu não sabia que tinha vocação até ter desenvolvido um relacionamento com Jesus, que crianças pequenas também podem ter.
    Jesus vai deixá-las saber melhor do que nós, e eles nunca serão jovens demais para descobrir.
    Muitas das nossas irmãs sentiram a ligação em primeiro ou segundo grau!
    Tu e a tua família estarão nas minhas preces!

A Irmã Verónica brinca «às freiras» com as sobrinhas!
II
    
    P - A relva é sempre mais verde ...
    Então, do meu ponto de vista, como mãe e dona de casa, às vezes penso que se fosse freira poderia passar a maior parte do meu dia ou semana na Missa, na oração, na adoração, a estudar a Bíblia e a ler as obras dos santos e todos os meus problemas desapareceriam!
    Podes falar do lado humano do convento?
    Quais são as lutas e tentações que atormentam a ordem e talvez sejam comuns a todas as freiras?

    R - Pergunta interessante!
    Bem, acertas quando dizes "a relva é sempre mais verde" ...
    As pessoas pensam sempre que apenas andamos a flutuar nas nuvens durante o dia todo e só descemos para respirar quando saímos em apostolado ...
    Ou acham que somos miseráveis no convento e apenas sorrimos quando estamos fora dele (dependendo de quem falas)!
    Na verdade, a vida no convento é muito humana e muito parecida com uma família.
    Nós "acotovelamo-nos" umas às outras e, às vezes, enlouquecemo-nos uma à outra, mas é disso que se trata a família, certo ?!
    Somos como verdadeiras irmãs, com altos e baixos.
    A nossa vida de oração é o que nos mantém centradas e focadas, e temos o privilégio de ter Jesus a viver conosco na nossa capela e um cronograma que nos permite todos os dias passar algum tempo com Ele, mas as nossas vidas (embora não tão agitadas) são preenchidas com as "pequenas coisas", também, como lavar roupa, cozinhar, limpar, fazer jardinagem, cortar a relva, cuidar das nossas «pastoras alemãs» (às vezes até temos crias!), empilhar lenha para os nossos queimadores e cuidar umas das outras , bem como leitura espiritual, preparação de palestras, adoração, ir à Missa e todas as coisas que possas imaginar que uma irmã faz normalmente .
    Julgo que algumas lutas e tentações que temos são provàvelmente muito parecidas com as tuas, mas em plano diferente.
    A oração pode ser difícil e seca, às vezes, e assim como o relacionamento com o teu marido tem que se aprofundar todos os dias, e nem sempre sentes por ele os sentimentos que costumavas ter, então o nosso relacionamento com Cristo tem que se mover além das consolações da desesperada «corrida para a igreja», onde sentes que tudo vai ficar bem e que sentirás uma «alta espiritualidade» para amar a Jesus e confiar n’Ele, mesmo quando Ele nos vê de longe ou não responde às nossas orações como nós queremos que responda.
    Além disso, temos as nossas próprias pequenas preocupações e as preocupações com as nossas irmãs e com a casa.
    Não temos os mesmos níveis de preocupação que vós tendes, o que nos liberta para orar e suportar sobre os nossos ombros o peso das dores dos outros e levá-los à oração.
    Recebemos pedidos de oração muito sérios todos os dias, e devo admitir que eles lembram-me sempre de "beijar o hábito" e agradecer a Deus a minha vocação!
    Provàvelmente, as coisas mais difíceis e mais abençoadas de se viver são os votos, especialmente a obediência, e ser-nos pedido para fazer coisas para as quais preferiríamos dar um "não" quando queremos um "sim".
    Mas isso também não frustra os teus filhos?
    O Papa Bento XVI disse que quanto mais nos tornamos semelhantes a Cristo, mais as nossas vontades se conformam com as d’Ele e menos sofremos com base em querermos algo que não seja a vontade de Deus.
    Ainda há sofrimento - que é a vida, e essa é a cruz, e se fores um santo ou um ateu, uma dona de casa ou uma freira de hábito, ela virá, mas é o que fazemos com ela que determina se temos paz ou ansiedade e dor desnecessária.
    Tentei aprender que é melhor não lutar com Deus desde o início ... mas ainda tenho muito mais a aprender!

    P - Em segundo lugar, e muito ao de leve: já tentaram seduzir-te, apesar do hábito?    
    O meu marido acrescentou: se alguém conseguiu obter o teu número?

    R - Quem no seu juízo perfeito quereria seduzir uma freira ?!
    Embora eu deva admitir, os velhos, nas missões paroquiais, podem por vezes ser um pouco inconvenientes, e eu suponho que eles pedem o nosso número, mas geralmente é para enviar uma doação!
    Nós organizámos há algumas semanas um Retiro para a Confirmação, e eu penso que alguns dos rapazes se apaixonaram pelas irmãs, mas na verdade foi óptimo porque eles eram os líderes da turma, e «vinham comer à nossa mão", e então tivemos a aula.
    Às vezes os rapazes dizem-nos (a mim e a outra irmã que toca piano e violão e cantamos juntas) que deveríamos estar no" American Idol " e que eles votariam em nós ...
    Isso não conta?

    P - Um dos meus pequenos está curioso por saber se dormem com o hábito.

    R – Parece que as crianças perguntam sempre isso!
    Na verdade, a minha irmã Amelia (que é amorosa no blog) também queria saber a resposta …
    Não, nós não dormimos com o hábito, mas apenas com camisa normal, ou qualquer outra coisa.
    No entanto, cada uma de nós tem cela própria - não porque o convento seja uma prisão! - provém da palavra latina "caeli" que significa "céu", e então cada uma das nossas celas é o nosso pequeno paraíso!
    Nunca saímos das nossas celas privadas sem hábito nem cabeça descoberta.
    Ninguém nos vê a dormir, senão Jesus!

    P – A minha querida AnneMarie, de 9 anos, gostaria de saber com que frequência consegues ver a tua família, ou se é permitido ter amigos fora do convento.

    R - Boa pergunta, AnneMarie!
    Bem, como irmãs professas geralmente vamos a casa todos os anos durante duas semanas (é o que estou a fazer agora) e a nossa família pode periòdicamente vir ao convento visitar-nos.
    Quando entram no convento como postulantes ou noviças (ou seja, nos primeiros três anos), as nossas irmãs geralmente não vão a casa, mas as famílias podem visitá-las a cada três meses, aproximadamente.
    A razão para a separação não é porque a família seja uma má influência ou algo assim, mas porque quando entras no convento tens que te ligar à tua nova família, as irmãs!
    É mais fácil fazer isso quando não vês a tua família durante todo o tempo, mas nunca deixamos de amá-la e, na verdade, oro muito mais pela minha família agora do que antes, quando estava com ela, e sinto que tenho uma relação mais profunda com os meus pais do que antes de entrar no convento, porque nos vemos a outro nível.
    Os meus pais falam comigo sobre coisas de que nunca falariam antes, porque não sou apenas sua filha; também sou religiosa.
    Às vezes mantenho contacto com alguns amigos, fora do convento, mas geralmente o que acontece quando te tornas irmã é que as tuas irmãs na vida religiosa se tornam tuas amigas, e então, em vez de ires a casa dos teus amigos para te divertires, vives com as tuas amigas e podes divertir-te com elas durante todo o tempo, e acredita: as irmãs podem divertir-se muito!
    Nós fazemos sátiras e vestimos fantasias, dançamos, cantamos e rimos muito!
    Deverias ver-nos no Natal...
    Julgo que fico tão excitada como tu, com as festas... ou pela Páscoa, ou pelos nossos dias de festa.


III

    P - Estou interessada em ouvir sobre o discernimento vocacional.
    Sabias que era o momento, "sim, é isto que eu sou chamada a fazer"?
    Ou foi um processo mais longo de te habituares à ideia?

    R - Bem, a chamada de todos é única, mas evidentemente que existe um tópico semelhante que percorre todos eles, ou seja, que SABES, de qualquer modo, que Deus te chamou para seres Sua noiva, e mais ninguém.
    Fui directora vocacional da nossa comunidade durante alguns anos (agora sou directora de candidatura, estágio imediatamente antes de uma jovem entrar no convento), e é isso que vi em todas as raparigas que acabaram por entrar em comunidades religiosas, e não naquelas que mais tarde discerniram as vocação matrimonial.
    A maneira autêntica de descobrir a vocação é orar, orar, orar!
    Deus quer dizer-te mais do que provàvelmente queres ouvir!
    No entanto, não faz como a S. Paulo, deitando-nos abaixo do cavalo... ou, Ele poderia ... mas provàvelmente não irá aparecer e dizer-te "Quero que sejas freira!" (imagina o velho poster do Tio Sam «Queremos-te!»).
    

    Então, como é que eu sabia?
    Bem, foi um processo muito lento, mas, como eu disse num blog anterior, Deus chama desde o útero.
    Na verdade, desde tenra idade, tinha um pressentimento em relação a Deus, embora fazer-me freira estivesse longe do meu pensamento.
    Julgava que só me tornaria irmã se fosse solteirona e não conseguisse encontrar um marido, e eu não tinha intenções disso!
    Queria ser actriz e cantora, e casar-me e ter muitos filhos (na verdade eu sou o oposto da minha irmã Amélia, que publica este blog - eu não a vejo no palco numa peça , e não gostarias de lhe meter na mão um microfone para ela cantar).
    Não convivi com nenhuma religiosa com menos de sessenta anos e nenhuma usava hábito, e naturalmente, como era jovem uma menina, não me senti atraída.
    No entanto, quando eu era caloira do ensino médio, fui a um retiro de jovens que tinha Adoração Eucarística, e realmente tive uma experiência da realidade de Jesus na Eucaristia.
    Depois disso, comecei a rezar o Rosário todos os dias (uma óptima ferramenta para ajudar a discernir - Nossa Senhora é a melhor directora vocacional) e, alguns meses depois, novamente na Adoração Eucarística, a vocação ficou clara.
    Estava ajoelhada diante de Jesus, e numa explosão de entusiasmo de «nova-convertida», orei: "Ó meu Deus, farei qualquer coisa por Ti! Qualquer coisa!"
    Alguns momentos depois, ouvi uma voz no meu coração que dizia: "Casar-te-ias coMigo? Tornar-te-ias numa irmã?"
    Ao mesmo tempo tinha na cabeça uma imagem das Irmãs Capuchinhas de Nazaré, que conheci poucos meses antes.
    Ok, ei que soa um pouco a drama (eu não disse que queria ser actriz?), mas é a verdade.
    No entanto, fui suficientemente subtil para que pudesse fàcilmente convencer-me a acreditar que era só eu, apenas os meus loucos pensamentos a ir embora, e não realmente Deus.
    Poderia ter ignorado, porque Deus é cavalheiro e nunca se nos impõe.
    Lutei, tentando acreditar e tentando aceitar a vocação durante os três anos seguintes, mas quando realmente me acalmei e rezei para que ficasse claro que, embora Ele me deixasse livre para fazer o que quisesse, era isso quereria de mim.
    Fico feliz por ter escolhido a Sua vontade e não a minha, porque agora sei que fui feita para esta vida!
    Espero ter respondido à pergunta.
    As visitas aos conventos também ajudam muito, porque muitas vezes as mulheres têm uma imagem romantizada de como é a vida religiosa (que andamos a flutuar todo o dia todo ou ajoelhadas horas seguidas ou comendo pregos ao jantar) e uma boa visita ou retiro ajuda separar a fantasia da realidade.
    Além disso, encontrar a comunidade certa para participar é mais namorar do que fazer compras.
    Na realidade tu «apaixonas-te» pela comunidade indicada para ti, e é difícil colocar um carisma um site.
    Assim como podes ir ao «Catholic Match», e um rapaz parecer-te perfeito... até realmente encontrá-lo... assim é com as comunidades religiosas.
    Se uma pessoa se sentir chamada, deve telefonar, escrever ou visitar.
    Se uma imagem vale mais que mil palavras, uma visita vale um milhão!

    P - O que vos incomoda?
    Os casais, em geral, tendem a incomodar as irmãs ou elas apreciam na realidade o que os casais fazem?

    R - Bem, para ser sincera, o que realmente me incomoda mais, e acho que falo aqui por muitas irmãs, é quando os pais se metem no caminho das vocações dos filhos.
    Conheci tantas mulheres que ousaria dizer que pelo menos uma em cada paróquia em que estive no apostolado (e houve muitas) vieram até mim e disseram: "Irmã, eu sabia que deveria ter sido irmã, mas porque os meus pais não quiseram não o sou.        Amo o meu marido e os meus filhos, mas falta algo”.
    É tão crónico que às vezes gostaria de subir aos telhados e gritar "Eh, pais! Não estraguem a vida dos vossos filhos, impedindo-os de seguir a sua vocação! Vocês estão a magoá-los, não os ajudando!" .
    É muito difícil para uma jovem seguir a sua vocação para a vida religiosa.
    O mundo pensa que és louca, há milhares de dúvidas e tentações, e é preciso uma incrível quantidade de coragem e graça.
    Até mesmo o pedido dos pais para apenas "espera até terminares a faculdade" ou "espera até que o teu irmão mais velho não precise tanto de ti" ou “vou sentir tanto a tua falta - não poderias fazer algo menos radical" pode ser o suficiente para impedir uma rapariga de seguir a vocação.
    Na faculdade já sabia que estava vocacionada, e então entrei logo depois de me formar.
    Quando a vocação atinge a uma rapariga, chega a um ponto em que tem que responder imediatamente se quiser responder em tudo.
    Se isso significa aos dezoito, ou vinte, ou vinte e cinco anos, que assim seja!
    Por outro lado, gosto muito ver casais na Igreja com os filhos, a estudar em casa, ensinando-os sobre a Fé e estimulando neles as vocações.
    Além disso, eu realmente amo ver casais de mão dada, apaixonados um pelo outro e abertos a uma nova vida.
    É um testemunho ao mundo do amor de Deus por nós.
    Também é especialmente maravilhoso ver a mãe e o pai na Missa com seus filhos.
    Sei que às vezes isso pode ser difícil, com bébés em casa, mas mesmo ver apenas um pai na Igreja com os filhos é uma afirmação poderosa, porque realmente hoje em dia poucos pais vão à igreja.
    Ouvi um ditado que dizia assim: "Se a mãe é religiosa, algumas das crianças o serão. Se o pai for religioso, todas elas o serão".

    P - Quais são os vossos hobbies?
    Os que vos fazem mais felizes?

    P - Penso que cada irmã tem hobbies diferentes, dependendo dos talentos.
    O hobby de uma irmã pode ser a penitência de outra irmã!
    Por exemplo, uma das nossas irmãs é óptima a trabalhar madeira, e fez altares e móveis para o convento, gosta muito.
    Sempre que trabalho com madeira sinto-me muito tentada a pô-la no lume e acabar!
    No entanto, algumas das coisas que fazemos são: cozinhamos, limpamos e costuramos, algumas irmãs fazem pequenas decorações para as festas, fazemos velas, jardinagem (legumes, frutas e flores), paisagem, pilhas de lenha (temos fogões a lenha no tempo de inverno e cozinhamos neles como em «Uma Casa na Pradaria»), temos gatos, e até mesmo, às vezes,crias das nossas cadelas «pastor alemão», às vezes.
    Nós também cantamos, tocamos instrumentos e até fazemos peças de teatro para as festas, com fantasias e tudo!
    O que realmente nos faz felizes, como «uma criança numa loja de doces», é dizerem-nos que podemos comer doces ou dormir toda a noite.
    Nós só comemos doces aos domingos ou dias de festa, e acordamos todas as noites às 2 da manhã para rezar o Ofício Divino, (não te preocupes, porque nós voltamos de novo a dormir), então quando essas penitências são levantadas por um dia é certo o convento ser preenchido com aplausos!
    Mas o que mais nos anima é viver a vida religiosa todos os dias, passar tempo com Jesus em adoração eucarística e estar com as nossas irmãs em comunidade.
    Na verdade, não podemos pedir mais nada.

    P - Como celebrais o Natal, a Páscoa, o Quatro de Julho e outros feriados?

    R - Primeiro de tudo, devo dizer que as irmãs sabem comemorar bem!
    Quando jejuamos, jejuamos, e quando nos banqueteamos, divertimo-nos!
    Passamos as festas no convento, com as irmãs, não com as nossas famílias (a não ser que estejamos de visita a casa, como eu estive neste ano para o Quatro de Julho), mas eu diria que se alguma de nós fosse mandada para casa durante as festas ficaríamos extremamente tristes!
    Não porque não amemos as nossas famílias, mas porque é muito bom estar no convento durante esses tempos.
    Celebramos não só com a comida, a família, a música e as decorações, como a maioria das pessoas, mas também com belas liturgias e orações que aprofundam e enriquecem a celebração.
    Por exemplo, no Natal e na Páscoa e na semana seguinte (chamada Oitava), temos belas e festivas liturgias, as irmãs dos nossos diferentes conventos reúnem-se, há grandes refeições, bem como entretenimento estelar proporcionado pelas próprias irmãs (as peças que eu mencionei acima).
    Antes destas festas preparamo-nos com uns sólidos Advento e Quaresma, respectivamente.
    Por exemplo, a maioria das pessoas sabe, talvez, cinco músicas do Advento, no máximo.
    Conhecemos pelo menos trinta e cinco ou quarenta, porque temos seis liturgias todos os dias para as cantarmos!
    Também jejuamos mais rigorosamente durante esses momentos, portanto não estamos a celebrar o Natal quatro semanas antes de realmente acontecer, e literalmente contamos os dias até ao Natal.
    Nós decoramos "ao máximo" a nossa capela e o refeitório (nome conventual para a sala de jantar) com todas as decorações caseiras e verduras frescas.
    A Páscoa é igualmente adorável, e os altos dias santos do Tríduo Pascal são maravilhosamente celebrados no convento, chegando ao pico da Vigília Pascal com uma verdadeira fogueira ao vivo!
    Também celebramos alguns feriados seculares, como a Acção de Graças e o Quatro de Julho, com reuniões comunitárias, bem como dias de festa da Igreja com liturgias e doces especiais.
    Apesar de tudo, sabemos como celebrar!
    Depois há o teu blog «Natal em Julho»!
    Sei que estavas à espera disso.
    Então, agora, podes juntar-te ao convento com cinquenta por cento de desconto e, se ligares agora, concedemos-te de brinde um hábito extra!

    P – A minha filha gostaria de saber como é o teu cabelo.

    R – Parece que as meninas perguntam sempre isso!
    Tenho cabelo castanho, como a minha irmã Amélia, mas um pouco mais curto.
    Quando uma rapariga se torna noviça e recebe o hábito, há uma cerimónia de corte de cabelo em que a noviça se ajoelha nos degraus do altar e a nossa superiora lhe corta o cabelo, enquanto segura uma taça para o aparar.
    Enquanto isso, as irmãs cantam um lindo hino sobre dar as vidas a Deus.
    Damos o cabelo a Deus como um sinal de Lhe dar a nossa beleza.
    A nova irmã coloca então o véu e ninguém mais lhe vê novamente o cabelo.
    Na verdade, quanto mais envelheceres mais vantajoso é - ninguém pode ver se estás a ficar grisalha.
    A parte prática é que não precisas de te preocupar em escová-lo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018