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Braga, Minho, Portugal
Franciscano com paciência beneditina.

sábado, 1 de setembro de 2018

PELOS CAMINHOS DE S. TIAGO

Ponte de Prado (Sécs. XVI─XVII)
    Mais uma vez Prado!    Atravesso a secular ponte e sinto-me liberto dos «catálogos» que na margem Sul do Cávado ainda me impedem de andar descalço a tempo inteiro.
    Simbòlicamente, a meio da ponte, sento-me num daqueles banquinhos de pedra e descalço as sandálias:
    
Banco de pedra, onde termina Braga e começa Prado.
...descalço as sandálias.

    Liberto os meus pés, e a minha mente segue-os!


À entrada de Prado.
    Desta vez o meu percurso rodaria um pouco mais a Este, e iria, em parte, coincidir com um Caminho de S. Tiago muito bem assinalado.




«Saboreando» as ruas de Prado.
    Como habitualmente, dirigi-me à capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, talvez mais conhecida por capela de S. Sebastião, para aí fazer a minha hora de piedade.


Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, também conhecida
por capela de S. Sebastião, por aqui se venerar este mártir,
festejado em Janeiro
Imagem de Santo António de Lisboa, venerada
nesta capela.
    Encetei então essa parte do Caminho de S. Tiago.


    Comecei junto à nova igreja matriz, tendo como ponto de referência seguinte a capela de Jesus, Maria e José, mais conhecida por capela de Santo Amaro, por aqui se venerar este santo abade, amigo e sucessor de S. Bento, advogado contra as doenças dos ossos, e cuja festa também se celebra em Janeiro.
    O prestígio deste santo «ortopedista» ofuscou o culto da Sagrada Família!

Nova igreja matriz de Prado Santa Maria.
Capela de Jesus, Maria e José, conhecida por capela de
Santo Amaro (fotografia de 1991).
A mesma capela por mim pintada a óleo, numa pequena tela,
em 1999.
No adro da capela.
    
    Continuando por este caminho, quase mesmo ao lado da capela de Santo Amaro, existe, num nicho de parede agora protegido por vidro, uma imagem de S. Benedito, da qual vos apresento uma fotografia de 1990, quando apenas as grades protegiam o ícone:


        O povo, carinhosamente, costuma dizer dele: "S. Benedito não come nem bebe e está sempre gordito"!
    Prosseguindo a minha caminhada dirigi-me para o fim desta primeira etapa: a capela de S. Tiago:




Três aspectos da capela de S. Tiago, em Prado Santa Maria.
Pequena tela em que representei, a óleo, esta capela (2016).
    No alpendre desta capela, à sombrinha, saboreei umas cavalas de conserva, com pão de sementes molhado no azeite:


A porta da capela conservava, ainda que secas, as grinaldas da festa de S. Tiago.
    Restauradas as forças retomei o caminho, que continuava mesmo ali no adro, através de uma pequena vereda marginada por um pequeno eucaliptal, cujas folhas caídas dão aos pés um toque suave:


    Mais adiante tive a agradável surpresa de encontrar, assinalado, um troço do «Caminho» constituído por uma vereda entre campos, no início da qual encontrei esta manifestação de piedade popular:

Virgem Maria e «S. Bentinho»: «campeões» da devoção popular!
Na vereda, entre pão e vinho!

    Embora o meu objectivo fosse Turiz, a fim de, mais uma vez, admirar como foi reconstruída a igreja paroquial depois de um violento incêndio ocorrido em 1990, mais uma vez não alcancei esse desiderato, porque a Carta Corográfica que possuo está bastante desactualizada (foi editada em 1989), e tive dificuldade em fazer coincidir o «Caminho» com os percursos topográficos.                                                         O piso foi alternando, tendo nalguns locais uma agradável textura de terra clara e fina, e mesmo erva verde.

    Mas foi aqui «que a porca torceu o rabo», num troço de piso altamente agressivo, de pedras soltas de diversos tipos, que me levaram à «tentação», a que resisti, de calçar as sandálias:

    Cheguei à nova igreja paroquial de Moure, onde repousei e fiz o ponto topográfico.
Nas escadas da igreja paroquial nova de Moure ─ Vila Verde.
     Retomei o caminho, que pensava levar-me a Turiz.                                                             Passei num cemitério, que não estava assinalado na carta, e vi mais adiante uma igreja mas que... Não era a de Turiz!                                                                                            Não estava là ao lado a capelinha do Senhor dos Passos!                                                Só após uma pesquisa informática é que cheguei à conclusão de que se tratava da antiga igreja paroquial de Moure!
Antiga igreja paroquial de Moure ─ Vila Verde.
    Dependente como estava de transporte público na margem Sul do Cávado, resolvi regressar pelo mesmo «Caminho de S. Tiago», mas no sentido inverso.                             Novamente a travessia do caminho de pedras soltas e aguçadas e do deserto de áspero asfalto quente, apenas com um reguito de água de lavagem de pátios a correr aqui e ali.                                                                                                                                       Só pondo assim à prova a resistência dos nossos pés seremos capazes de defender a causa do descalcismo!