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Franciscano com paciência beneditina.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

PROCISSÃO DA FESTA DE NOSSA SENHORA D'AJUDA DE ESPINHO ─ 2018 ─ O MEU PARECER


    Durante os vinte anos que vivi em Espinho (entre 1961 e 1981), posso afirmar que poucas foram as vezes em que não assisti ou não participei nesta procissão.
    Foi desta procissão o meu primeiro documentário fotográfico, em 1964, quando eu contava apenas 12 anos. Penso que já escrevi sobre isto neste «blog».
    Poucas são as festas religiosas, por esse Portugal além, que nos seus cartazes não se refiram à procissão respectiva como «majestosa». Muitas vezes é uma desilusão!
    «Majestosa procissão», para mim, é esta: a de Nossa Senhora d'Ajuda, em Espinho. A única verdadeiramente digna de tal classificação, quer pelo número de andores e imagens quer pela extensão do percurso.
    Antes de 1974, o préstito, saindo da capela de Santa Maria Maior, atravessava a passagem de nível da Rua 23, percorria para Sul a Avenida 8, descia a Rua 31, virava a Norte na Avenida 2 e postava-se voltado para o mar entre as ruas 23 e 19.
    Como hoje, era então proferido o sermão da Bênção do Mar, a fanfarra formada nas escadas da praia tocava a marcha de continência e subia ao ar uma demorada girândola de foguetes.
    Depois subia a Rua 19 até à Rua 18, virava a Sul e descia a Rua 23, recolhendo à capela.
    Com o encerramento da passagem de nível da estação, na Rua 19, passou a sair da capela e a dirigir-se para Sul pela Rua 8, até à passagem de nível da Rua 33 (Fundição ou Fábrica Progresso), descendo à Rua 2 (aqui passava à minha porta), voltando a Norte e esperando o final da Bênção do Mar no fim da Rua 23. Após este sobe (ainda hoje) a Rua 23, volta a Norte na Rua 18, desce a Rua 19 e vira na Rua 8, recolhendo à capela.
    Em extensão, o percurso não se alterou muito.
    Agora quanto a andores...
    Nos anos 60, 70 e 80 já eram muitos, talvez uns vinte.
    De há anos para cà multiplicaram-se.
    Apareceram novas imagens, de santos recentemente canonizados e não só, porque vêm imagens de várias paróquias do concelho.
    Antes da procissão, parte dos andores estão no adro da capela, porque já não cabem là dentro.
    Ontem, Domingo, dia 16 de Setembro de 2018, fui a Espinho fazer o documentário foto-videográfico que apresento nesta crónica.
    O meu local de colheita de imagens foi na Rua 8, entre as ruas 27 e 29.
    A procissão, que dantes saía às 17 horas, começou a sair ainda antes das 16H30, isto porque já se previa a demora da sua formação.
    A fanfarra passou em marcha ordinária até à Rua 33 (agora sem «cancelas») e logo a seguir três acólitos com a cruz paroquial e as lanternas também passaram em passo apressado até à fanfarra.
    Seguiu-se um longo compasso de espera, e apenas comecei a gravar quando os guiões das Irmandades de Nossa Senhora da Ajuda e do Santíssimo Sacramento se aproximaram.
    Foram mais de 40 minutos de gravação!

Tapete de sal e flores, na Rua 2.

Fanfarra dos Bombeiros Voluntários do Concelho de Espinho.



    Agora o meu humilde e modesto parecer:
   Não contei  (nem ao visionar o vídeo) o número de andores e imagens, mas por um comentário que ouvi eram 40!!!!
   Um exagero!
   Está certo que se dêem a conhecer os novos santos, mas num acto que, para além de devoção é tradição, não julgo oportuno. É para ser feito numa igreja ou num auditório, por um bom pregador ou conferencista e longe dos ruídos e da confusão de uma festa.
   Pelo que também ouvi, há imagens que foram oferecidas por devotos de quem elas representam.
    Muito bem. Mas esse culto privado é para ser praticado na intimidade.
    Vieram imagens de outras paróquias. Certo. É um símbolo de união com Espinho e o fim de rivalidades antigas. Mas bastava que viesse a do orago de cada uma (só não veio o de Paramos, Santo Tirso, cujo hagiológio poucos conhecerão).
    Uma profusão de imagens da Virgem Maria, de várias invocações...
    Que me desculpem os meus amigos de Espinho, mas isto não é uma procissão: é um museu de arte sacra ambulante e a céu aberto!
    A minha insignificante opinião é a de que se volte à relativa sobriedade de outros tempos, a qualidade acima da quantidade!
    Que saiam aquelas imagens dos templos da cidade que os espinhenses se habituaram a venerar desde longa data e, para além destes, como refiro acima, que venham das outras paróquias apenas as dos respectivos oragos.
    Os meus votos de Paz e Bem, com as bênçãos de Jesus, Nossa Senhora d'Ajuda e S. Francisco!

MOINHOS DA APÚLIA

MOINHOS DA APÚLIA
por Rob
2018
Óleo sobre cartão telado.
178 x 127 mm.