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Franciscano com paciência beneditina.

terça-feira, 23 de abril de 2019

sábado, 20 de abril de 2019

NENHUMA MULHER TRAÍU JESUS!

   
   
     Pelo Pe. João António Pinheiro Teixeira
     Diário do Minho ─ 16 de Abril de 2019

    1 ─ Que se saiba, nenhuma mulher negou – ou atraiçoou – Jesus. 
    Até a esposa daquele que O condenou terá feito tudo para evitar a Sua morte (cf. Mt 27, 19). 
    2 ─  Pilatos, Herodes, Anás, Caifás, Judas Iscariotes, soldados. 
    Só encontramos homens implicados na condenação de Jesus. 
    3 ─  Mas se a morte é uma acção de homens, a notícia da Ressurreição começa por ser uma questão de mulheres. 
    Aliás, o contraste já se verificara junto à Cruz. 
    Além dos soldados (por motivos profissionais), o único homem a marcar presença foi o «Discípulo Amado» (cf. Jo19, 25-26). 
    4 ─ Também ao sepultamento de Jesus — feito por dois homens: José e Nicodemos (cf. Jo 19, 38-42) — apenas compareceram mulheres (cf. Mc 15, 47; Mt 27, 61; Lc 23, 55). 
    Não espanta, assim, que as primeiras a visitar o sepulcro tenham sido igualmente as mulheres. 
    5 ─ Foi pelas mulheres que os discípulos souberam que a sepultura estava aberta (cf. Jo 20, 2). 
    E foram as mulheres as primeiras a ver o Ressuscitado (cf. Mc 16, 9; cf. Mt 28, 9).  
    6 ─ É às mulheres que Jesus confia o encargo de anunciar a Ressurreição (cf. Jo 20, 18; Mt 28, 10).
    Sucede que os discípulos não acreditaram (cf. Mc 16, 11; Lc 24, 11), pelo que Jesus censura a sua incredulidade (cf. Mc 16, 14). 
    7 ─ As mulheres foram as destinatárias da «protofania do Ressuscitado» e as protagonistas do «proto-anúncio da Ressurreição». 
    Gregório de Antioquia, no século VI, detalha as palavras que Jesus lhes terá dirigido: «Anunciai aos Meus discípulos os mistérios que vistes. Tornai-vos os primeiros mestres dos mestres». 
    8 ─ E Maria? 
    Será que Jesus não Lhe apareceu? 
    Não deixa de ser espantoso que um elenco tão pormenorizado como o de São Paulo — que chega a falar de uma aparição a mais de quinhentas pessoas (cf. 1Cor 15, 6) — tenha omitido a aparição à própria Mãe. 
    9 ─ Não falta, entretanto, quem garanta que foi mesmo a Maria que Jesus apareceu em primeiro lugar. 
    Um autor do século V, chamado Sedúlio, assegura que o Ressuscitado mostrou-Se, antes de mais, à Sua Mãe. 
    E São João Paulo II apresenta o motivo: «A ausência de Maria do grupo das mulheres que se dirige ao sepulcro pode constituir um indício de Ela já Se ter encontrado com Jesus». 
    10. Maria – proclamada feliz por ter acreditado (cf. Lc 1, 45) – sabia que não era no túmulo que Jesus Se encontrava. 
    Ela manteve sempre viva a chama da fé, preparando-Se para acolher o anúncio jubiloso – e surpreendente – da Ressurreição!

2019-04-18 ─ PROCISSÃO DO SENHOR «ECCE-HOMO» ─ BRAGA



    Por motivo de na Rua do Souto se encontrarem, presentemente, dois edifícios em obras que diminuem a largura desta artéria, os préstitos da Semana Santa foram desviados para a Rua Justino Cruz, Campo da Vinha e Rua da Misericórdia.

domingo, 14 de abril de 2019

EM CADA SEMANA QUE PASSA, DOIS TEMPLOS SÃO ENCERRADOS E VENDIDOS

Ruínas duma capela particular em Moure ─ Póvoa de Lanhoso.
    Por M. Ribeiro Fernandes.
    Diário do Minho ─ 14 de Abril de 2019.

    1. Há dias, enviaram-me uma reportagem sobre igrejas que vão sendo abandonadas por falta de crentes e uso de culto e depois vendidas e reutilizadas para fins comerciais. 
    São imagens que representam um sinal de viragem cultural que, aliás, coincide com a progressiva queda da percentagem do número de católicos e da prática religiosa (tomando-se por critério da prática religiosa a ida à missa), sobretudo na Europa. 
    Segundo informações recolhidas na internet, haverá na Alemanha 29% de católicos, mas apenas 9% irão à missa uma vez por mês; na França, onde igrejas são postas à venda por não uso e falta de recursos para as manter, 53% dizem-se tradicionalmente católicos, mas só 4,% vão à missa uma vez por mês e 1,8% todos os domingos; na Holanda, haverá 22,9% de católicos, mas apenas 2% serão praticantes; na Itália, 83% dizem-se católicos, ma só 24,4% se dizem praticantes; na Espanha, 70% dizem-se católicos, mas apenas 14,3% se dizem praticantes; etc…
    Nessa reportagem, assinada por Peter Berger, vem referido que, em cada semana que passa, sobretudo na Europa, dois (2) templos são fechados ao culto, vendidos e adaptados para outros fins, como moradias, hotéis, bares, livrarias, lojas, oficinas auto, depósitos… e até mesquitas (a este respeito, o filósofo Cioran escreve que “os franceses não acordarão até que Notre-Dame seja transformada em mesquita”). 
    A ser verdade esta informação, é realmente um sinal chocante que interpela os crentes para a necessidade de mudança de abordagem.
    Reportam-se, depois, nomes de igrejas vendidas e a finalidade para que foram adaptadas. 
    Alguns exemplos:
    – Igreja Dominicana de Maastricht, um grandioso templo gótico, transformada em livraria;
    – Igreja de San Martino Matera, em Itália, transformada num hotel;
    – Igreja de Sankt Jacobus, em Utrecht, Holanda, transformada em residência;
    – Cervejaria Jopen, em Haarlem, na Holanda, era uma igreja;
    – Pub Pitcher & Piano, em Nottingham, em Inglaterra, era uma igreja;
    – Uma igreja, em Northumberland, Inglaterra, transformada em residência;
    – O Restaurante Olivier, em Utrecht, na Holanda, era uma igreja;
    – Igreja de São Pedro e São Paulo, em Vercelli, Itália, transformada em depósito;
    – Igreja de Nª Senhora das Neves, em Portichetto di Luisago, Itália, transformada em Oficina;
    – Igreja de São Gregório, em Salerno, Itália, transformada em Museu Virtual;
    – Igreja de Santa Luzia, em Montescaglioso, Itália, transformada em Centro Desportivo;
    – Igreja de San Donato, em Barbaresco, Itália, transformada em Enoteca Regional;
    – Igreja de São Cosme e Damião da Ponte de Ferro, em Bolonha, transformada em Showroom de decoração visionária;
    – Em Denver, Colorado, USA, uma grandiosa igreja foi transformada em “The Church Nigthclub; – em New Jersey, USA, uma igreja foi transformada em loja da rede Dunkin Donuts… etc…etc…
    2. Este fenómeno de encerramento de igrejas e sua adaptação para fins comerciais não será inteiramente estranho entre nós, se tivermos em conta as diversas expulsões de Ordens religiosas e o encerramento de conventos; mas, relativamente a igrejas só conheço o caso da igreja de São Tiago, do século XII, em Óbidos, reconvertida em livraria; informam-me, porém, que há alguns casos em Lisboa e no país, que não pude confirmar. 
    Só que a diferença entre estes casos e os citados na reportagem é que estes são esporádicos e raros, enquanto os outros são sistemáticos e progressivos. 
    Este encerramento de igrejas começa, naturalmente, pelo afastamento e desinteresse em relação à prática religiosa. 
    E isso observa-se, hoje, um pouco por toda a parte, talvez mais para Sul do que para Norte, mas geral e à vista de quem o quiser ver. 
    E já ninguém estranha isso.
    Correlativo com este fenómeno e que pode ter, com ele, alguma relação causal, há um outro que não será menos chocante: pessoas com responsabilidade institucional continuarem a agir como se nada fosse, sem nada mudarem nem inovarem na sua abordagem da realidade, à espera que a onda de laicização passe e tudo regresse ao anterior estado de coisas… 
    Espero que não seja o regresso da síndrome de Constantinopla. 
    Toda a gente sabe que as grandes instituições têm dificuldade em reconhecer os seus desvios da realidade, porque vivem muito fechadas sobre si mesmas e prestam pouca atenção à evolução da realidade que as envolve. 
    Julgam-se autossuficientes. 
    É por isso que precisam de uma descentralização progressiva no seu modo de funcionar para que as iniciativas locais possam germinar mais adaptadas. 
    De qualquer modo, essa dificuldade não as justifica nem muda a realidade, que está aí, diante dos olhos, mesmo que se não queira ver, como um aviso de mudança cultural com data marcada…
Ruínas de capela particular na Lage ─ Vila Verde.

domingo, 7 de abril de 2019

CAMINHADA DE CARIDADE

    Matthew Strange está actualmente a meio da sua caminhada descalça de Gibraltar até Preston (Reino Unido). 
    Fá-lo por caridade para com o «St. Catherine's Hospice»
    Vai postando actualizações diárias no seu canal YouTube. 
    Se alguém estiver interessado em apoiá-lo, a hiperligação está aqui:

    https://youtu.be/7wXi2tgcxXQ

    Sexta-feira, 5 de abril de 2019 - Expedição de Simon - Tentativa de recordes mundiais do Guinness - A maior jornada descalça - Gibraltar - Málaga - Madrid - Paris - Bruxelas - Calais / Dover - Londres - Manchester - St. Catherine's Hospice, Preston

    www.justgiving.com/MrMatthewStrange

    Sigam a jornada em todas as redes sociais:
    www.instagram.com/MrMatthewStrange
    www.Facebook.com/MrMatthewStrange
    www.twitter.com/MrMStrange

quarta-feira, 3 de abril de 2019

HISTÓRIAS DE BRAGA



HISTÓRIAS DE BRAGA
2019
por Rob
Lápis
297 x 420 mm.



    Chamam-lhes farricocos e, a começar pelo nome, tudo neles é perturbador. 
    São figuras sinistras, integralmente vestidas de túnicas negras («balandraus»), com uma corda atada à cintura. 
    Um capuz, da mesma cor, cobre-lhes a cabeça, apertada com uma corda. 
    E apenas duas aberturas na zona dos olhos permitem perceber que, ali atrás, há alguém humano. 
    Os farricocos são homens, tradicionalmente em penitência. 
    E vão descalços, pelas ruas da cidade, criando um ambiente soturno à sua passagem. 
    A sua presença é a mais marcante da procissão de Quinta-feira Santa, que abrem como um cortejo fúnebre. 
    Nas mãos carregam matracas, provocando um som ensurdecedor que cria um ambiente arrepiante à sua passagem. 
    Chamados igualmente «os homens dos fogaréus», transportam um cabo de madeira, altíssimo, na ponta do qual balança uma bacia de cobre contendo pinhas a arder em chama viva. 
    São acompanhados por outros farricocos, geralmente ainda muito jovens e ainda pouco robustos ou experientes para carregar os fogaréus, com cestas cheias de pinhas destinadas a alimentar os mesmos fogaréus.
    Em tempos recuados competia aos farricocos a tarefa incómoda de «lançar as pulhas», ou seja, de divulgar ou caluniar pùblicamente os mais íntimos segredos de cada família, a coberto da escuridão e do disfarce, atingindo, indistintamente, quem calhava. 
    Outras vezes, após a procissão, espalhavam-se pelas ruas, noite dentro, causando medo a quem com eles se cruzava.
    As matracas serviam para, após o silenciamento dos sinos, chamar os fiéis ao culto ou lembrar-lhes a confissão e a penitência – tal como se faz ainda hoje em Braga e noutras localidades durante o dia de Quinta-Feira Santa.
    Na sua origem pagã, estes homens tinham por missão anunciar às pessoas, pelas ruas, utilizando as ditas matracas, a passagem dos condenados, relatando os crimes por eles cometidos. 
    Posteriormente cristianizados, os farricocos, associados depois ao relato das «pulhas», limitam-se, actualmente, a tocar as matracas, mantendo a tradição litúrgica, e a fazer parte dos cortejos processionais desta quadra.

FANTASIA BARRINO CANTA DESCALÇA NO FUNERAL DE ARETHA FRANKLIN