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Franciscano com paciência beneditina.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

HISTÓRIAS DE BRAGA



HISTÓRIAS DE BRAGA
2019
por Rob
Lápis
297 x 420 mm.



    Chamam-lhes farricocos e, a começar pelo nome, tudo neles é perturbador. 
    São figuras sinistras, integralmente vestidas de túnicas negras («balandraus»), com uma corda atada à cintura. 
    Um capuz, da mesma cor, cobre-lhes a cabeça, apertada com uma corda. 
    E apenas duas aberturas na zona dos olhos permitem perceber que, ali atrás, há alguém humano. 
    Os farricocos são homens, tradicionalmente em penitência. 
    E vão descalços, pelas ruas da cidade, criando um ambiente soturno à sua passagem. 
    A sua presença é a mais marcante da procissão de Quinta-feira Santa, que abrem como um cortejo fúnebre. 
    Nas mãos carregam matracas, provocando um som ensurdecedor que cria um ambiente arrepiante à sua passagem. 
    Chamados igualmente «os homens dos fogaréus», transportam um cabo de madeira, altíssimo, na ponta do qual balança uma bacia de cobre contendo pinhas a arder em chama viva. 
    São acompanhados por outros farricocos, geralmente ainda muito jovens e ainda pouco robustos ou experientes para carregar os fogaréus, com cestas cheias de pinhas destinadas a alimentar os mesmos fogaréus.
    Em tempos recuados competia aos farricocos a tarefa incómoda de «lançar as pulhas», ou seja, de divulgar ou caluniar pùblicamente os mais íntimos segredos de cada família, a coberto da escuridão e do disfarce, atingindo, indistintamente, quem calhava. 
    Outras vezes, após a procissão, espalhavam-se pelas ruas, noite dentro, causando medo a quem com eles se cruzava.
    As matracas serviam para, após o silenciamento dos sinos, chamar os fiéis ao culto ou lembrar-lhes a confissão e a penitência – tal como se faz ainda hoje em Braga e noutras localidades durante o dia de Quinta-Feira Santa.
    Na sua origem pagã, estes homens tinham por missão anunciar às pessoas, pelas ruas, utilizando as ditas matracas, a passagem dos condenados, relatando os crimes por eles cometidos. 
    Posteriormente cristianizados, os farricocos, associados depois ao relato das «pulhas», limitam-se, actualmente, a tocar as matracas, mantendo a tradição litúrgica, e a fazer parte dos cortejos processionais desta quadra.

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